Um grupo de pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências apresentou um revestimento em spray capaz de eliminar mais de 99,99% das bactérias em superfícies sensíveis ao toque, mantendo transparência quase idêntica ao vidro, resistência a riscos sete vezes maior que polímeros convencionais e flexibilidade suficiente para 3.000 ciclos de dobra a raio de 1,5 mm.
Detalhado na revista Advanced Materials em 27 de janeiro de 2026, o material é aplicado por pulverização e curado a apenas 80 °C, temperatura compatível com substratos plásticos usados em celulares dobráveis e dispositivos vestíveis.
Como funciona
O revestimento nasce de uma solução precursora que combina peridropolissilazano (PHPS), nitrato de prata (AgNO3) e o agente de acoplamento 3-mercaptopropiltrimetoxisilano (conhecido como KH-590). Durante a cura, os íons de prata são reduzidos a nanopartículas com diâmetro médio de 2,43 nm, que ficam ancoradas a uma matriz vítrea de SiOx, formando uma rede uniforme e transparente com espessura de cerca de 122 nm.
Desempenho mecânico e ótico
A camada apresenta dureza de 1,58 GPa e módulo elástico de 12,7 GPa, alcançando razão dureza/módulo de 0,12 e recuperação elástica de 72%. A transmissão óptica a 550 nm cai apenas 1,3% em relação ao substrato puro.
Eficácia antimicrobiana
Testes de laboratório mostraram redução superior a 99,99% de Escherichia coli e 99,92% de Staphylococcus aureus após 24 horas de contato. A ação ocorre principalmente por contato direto com as nanopartículas de prata; a quantidade de íons liberados ficou em 259 ppb, bem abaixo da concentração mínima inibitória de 4.000 ppb para a bactéria E. coli.
Segurança e durabilidade
Ensaios com fibroblastos de camundongo indicaram viabilidade celular acima de 100% frente ao controle, com liberação de prata de 188 ppb, nível inferior ao limite de toxicidade relatado para essas células. O revestimento resistiu a 10.000 ciclos de abrasão com lã de aço, 100 horas de radiação UV, 100 ciclos de choque térmico entre 20 °C e 80 °C e 24 horas de imersão em água, etanol, ácido acético ou carbonato de sódio, mantendo eficiência antibacteriana acima de 99,96%.

Imagem: Nanowerk https
Projeções baseadas na cinética de liberação de prata indicam vida útil funcional de aproximadamente 2,6 meses em uso intenso (100 limpezas diárias) e superior a dois anos em uso leve (10 limpezas diárias), cenário típico de dispositivos domésticos.
Combinando transparência, dureza, flexibilidade, ação antibacteriana e biocompatibilidade, o revestimento oferece uma rota prática para proteger telas de quiosques públicos, caixas eletrônicos, smartphones dobráveis e produtos vestíveis contra microrganismos e desgaste mecânico.
Com informações de Nanowerk







