Bolsas de Nova York fecham 2025 em recordes, amparadas por cortes de juros e avanço da inteligência artificial

Os índices S&P 500, Nasdaq e Dow Jones terminaram 2025 renovando máximas históricas, impulsionados pela combinação de política monetária mais branda nos Estados Unidos, resultados corporativos acima do esperado e otimismo com empresas ligadas à inteligência artificial.

Cifras inéditas

O Nasdaq alcançou seu pico em 30 de outubro, a 23.958 pontos, beirando a máxima intradiária de 24.019 pontos. Já o Dow Jones avançou até 48.704 pontos e o S&P 500 chegou a 6.901 pontos, marcas superadas sucessivamente até meados de dezembro.

Por que subiram

Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o desempenho reflete a combinação de crescimento econômico resiliente, início do ciclo de cortes de juros e balanços robustos. “A redução do custo da dívida e a perspectiva de consumo firme aumentaram a atratividade dos ativos de risco”, resume.

A inteligência artificial voltou a liderar os ganhos, com companhias de tecnologia e comunicação exibindo resultados expressivos e posições de caixa confortáveis.

Lucros acima da média

André Leite, sócio e diretor de investimentos da TAG Investimentos, destaca que o lucro projetado para as empresas do S&P 500 em 2026 é de 16%, o dobro da média histórica de 8%. “No longo prazo, o que sustenta a bolsa é resultado corporativo”, observa.

Impacto político

O primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump adicionou volatilidade, principalmente após o anúncio de tarifas e endurecimento do discurso geopolítico. De acordo com Zogbi, medidas protecionistas elevaram dúvidas sobre inflação e crescimento mundial, embora acordos e suspensões temporárias de tarifas tenham reduzido parte da tensão.

Rodrigo Aloi, chefe de pesquisa e estratégia da HMC Capital, lembra que a adoção de tarifas no “Liberation Day” mostrou que a retórica protecionista não era apenas discurso. Tensões envolvendo China, Rússia, Ucrânia e Venezuela também afetaram o sentimento ao longo do ano, mas foram gradualmente precificadas.

Papel decisivo do Fed

A política monetária é apontada pelos analistas como o principal suporte para os recordes. O Federal Reserve realizou três cortes consecutivos em 2025, reduzindo a taxa básica para o intervalo de 3,5% a 3,75% ao ano. Aloi avalia que a flexibilização incentivou a busca por ativos de risco de forma mais direta do que qualquer fator político.

Zogbi concorda que a sinalização de continuidade do afrouxamento monetário foi determinante para manter o fluxo de capitais em direção às ações.

O que esperar de 2026

Para o próximo ano, os especialistas veem oportunidade, mas ressaltam atenção redobrada à política monetária e ao ambiente político. Zogbi lembra que as empresas ligadas à inteligência artificial concentram peso elevado nos índices e podem reagir de forma mais aguda a notícias. Ela recomenda diversificação geográfica e em moeda forte.

Leite observa que 2026 é ano de eleições de meio de mandato nos EUA e acredita que, diante do desemprego nascente associado à automação, Trump tende a estimular a economia, seja via Federal Reserve, seja por programas de auxílio direto.

Aloi reforça que manter parte relevante do patrimônio fora do Brasil é decisão estrutural para suavizar oscilações em um cenário global que tende a permanecer mais volátil.

Assim, apesar das incertezas políticas e dos riscos geopolíticos, a combinação de cortes de juros, crescimento econômico resiliente e lucros corporativos robustos sustentou as altas históricas em Wall Street em 2025.

Com informações de Valor Investe

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