Nanosensor sul-coreano monitora, em tempo real, liberação de dopamina por organoides cerebrais vivos

Pesquisadores da Universidade Sungkyunkwan, na Coreia do Sul, apresentaram um eletrodo em nanoescala capaz de detectar, em tempo real, a liberação de dopamina por organoides de cérebro médio. A tecnologia, batizada de SIDNEY (Smart Interfacial Dopamine-sensing platform for NEurons and organoid physiologY), atinge limites de detecção de 29,5 nM em solução salina e 7,51 nM em fluido cerebroespinhal artificial.

O sensor reúne três componentes em camadas: nanopilares de ouro com cerca de 300 nm de altura, nanopartículas de ouro de aproximadamente 38 nm e um revestimento de óxido de grafeno. Os nanopilares ampliam a área ativa; as nanopartículas aceleram a transferência de elétrons; já o óxido de grafeno aumenta a seletividade, afastando moléculas interferentes e atraindo a dopamina por interações eletrostáticas e de empilhamento π-π.

Testes indicaram que a plataforma sofre interferência de apenas 3,33% quando dopamina é misturada a neurotransmissores semelhantes, contraste com perdas de sinal superiores a 2.000% em eletrodos convencionais. A medição leva cerca de um minuto e utiliza volumes de poucos microlitros, preservando a viabilidade das amostras.

Validação biológica

Para comprovar a aplicação biológica, o grupo cultivou células SH-SY5Y diretamente sobre o sensor e acompanhou, durante 12 dias, o aumento da liberação de dopamina à medida que as células se diferenciavam em neurônios dopaminérgicos. Em seguida, neurônios obtidos de células-tronco pluripotentes induzidas registraram correntes médias de 50,96 μA, enquanto células não neuronais não geraram sinal detectável.

O desafio principal envolveu organoides de cérebro médio com 35 e 95 dias de desenvolvimento. Embora ambos expressassem marcadores dopaminérgicos, apenas os organoides mais maduros mostraram liberação quantificável, em torno de 9,16 nM. Cada organoide ocupou menos de 3% da superfície sensora, demonstrando a sensibilidade da abordagem.

Vantagens sobre métodos tradicionais

Análises convencionais, como cromatografia líquida de alta eficiência, demandam amostras de 1 mL e mais de três horas de processamento. Ensaios imunológicos enfrentam perda de desempenho em soluções com alta força iônica. O SIDNEY, ao contrário, oferece medição rápida, não destrutiva e seletiva, permitindo acompanhar a evolução funcional do mesmo organoide ao longo do tempo.

Segundo os autores, a estratégia pode ser adaptada para detectar outros compostos eletroativos em modelos de fígado, coração e demais sistemas derivados de células-tronco, ampliando perspectivas para triagem de fármacos e estudos de doenças em nível individual.

Com informações de Nanowerk

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