Ferramentas de reconhecimento facial, spyware e big data impulsionam nova onda de deportações nos EUA

Nos primeiros oito meses do atual mandato de Donald Trump, aproximadamente 350 000 pessoas foram deportadas dos Estados Unidos, segundo a CNN. O número reúne ações do Immigration and Customs Enforcement (ICE) — cerca de 200 000 deportações —, da Customs and Border Protection (mais de 132 000) e quase 18 000 autodeportações.

Para sustentar a campanha de deportações em massa, o ICE recorre a um conjunto de tecnologias que inclui reconhecimento facial, spyware, desbloqueio de celulares e grandes bases de dados públicas e comerciais. A seguir, os principais contratos em vigor.

Clearview AI: reconhecimento facial

O ICE assinou, na semana passada, um contrato de US$ 3,75 milhões com a Clearview AI para apoiar investigações do braço policial Homeland Security Investigations (HSI). A empresa fornece identificação de vítimas e suspeitos em casos de exploração sexual infantil e agressões a agentes de segurança.

Esse é o terceiro acordo recente com a companhia. Em setembro de 2024, o ICE comprou software forense por US$ 1,1 milhão, e, no ano anterior, pagou quase US$ 800 mil em licenças corporativas de reconhecimento facial.

Paragon Solutions: spyware israelense

Em setembro de 2024, foi firmado contrato de US$ 2 milhões com a fabricante israelense de spyware Paragon Solutions. O governo Biden suspendeu a execução para avaliar a conformidade com uma ordem executiva sobre uso de spyware comercial. A ordem foi revogada na semana passada pelo governo Trump, reativando o acordo, cujo status operacional permanece indefinido.

Magnet Forensics: desbloqueio de celulares

No meio de setembro, o HSI fechou contrato de US$ 3 milhões com a Magnet Forensics. O valor cobre licenças de software que permitem extrair evidências digitais, processar múltiplos dispositivos e gerar relatórios forenses. A empresa é responsável pelos equipamentos Graykey, capazes de desbloquear smartphones e acessar seus dados.

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Imagem: Internet

LexisNexis: consulta a dados públicos e comerciais

Há anos, o ICE utiliza a base Accurint Virtual Crime Center, da LexisNexis. Documentos obtidos em 2022 mostraram mais de 1,2 milhão de buscas em sete meses para verificar antecedentes de migrantes. Em 2023, reportagem revelou o uso do sistema para investigar pessoas antes mesmo de qualquer crime. Neste ano, o ICE destinou US$ 4,7 milhões à assinatura do Law Enforcement Investigative Database Subscription (LEIDS).

Palantir: integração de grandes bases de dados

A Palantir mantém vários contratos com o ICE. O maior, fechado em setembro de 2024, destina US$ 18,5 milhões ao sistema Investigative Case Management (ICM), que reúne informações sobre status migratório, características físicas, localização e muito mais. Em 2022, a empresa já havia assinado acordo de US$ 95,9 milhões para o ICM. Outro projeto em desenvolvimento é o ImmigrationOS, de US$ 30 milhões, voltado a monitorar autodeportações e pessoas com visto expirado.

Com essas cinco frentes tecnológicas — reconhecimento facial, spyware, desbloqueio de celulares, buscas em bases de dados e plataformas de big data —, o ICE amplia sua capacidade de localizar, vigiar e deter imigrantes em todo o território norte-americano.

Com informações de TechCrunch

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