21 de janeiro de 2026 – Observações do Telescópio Espacial James Webb forneceram a primeira prova conclusiva de que cristais de silicato se formam na região interna e quente do disco que circunda uma estrela em formação e, em seguida, viajam para as áreas mais frias graças a poderosos fluxos de matéria. O fenômeno foi detectado em EC 53, protostar localizada a 1.300 anos-luz da Terra, na Nebulosa de Serpens.
Utilizando o instrumento MIRI (Mid-Infrared Instrument), a equipe internacional liderada pela astrônoma Jeong-Eun Lee, da Universidade Nacional de Seul, coletou dois conjuntos de espectros detalhados de EC 53. As medições identificaram minerais como forsterita e enstatita – silicatos comuns na Terra – e mapearam sua distribuição dentro do sistema.
Segundo os dados, os cristais se formam em uma faixa quente do disco situada aproximadamente entre as órbitas que corresponderiam, em nosso Sistema Solar, ao Sol e à Terra. Em seguida, jatos estreitos de gás quente gerados próximo aos polos da estrela e ventos um pouco mais lentos, porém abundantes, provenientes do disco interno, lançam essas partículas microscópicas para as regiões externas, onde temperaturas extremamente baixas favorecem a futura formação de cometas.
EC 53 apresenta um comportamento regular: a cada 18 meses, entra em uma fase de surto que dura cerca de 100 dias. Nesse período, a estrela engole grandes quantidades de gás e poeira, ao mesmo tempo que ejeta parte desse material em jatos de alta velocidade. Esses episódios, observados há décadas por diferentes grupos, funcionam como “rodovias cósmicas” que transportam os novos cristais para o limite do disco protoplanetário.
“O Webb não apenas revelou quais silicatos estão presentes, mas também mostrou onde eles aparecem antes e durante um surto”, destacou Lee. Para Doug Johnstone, do Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá, os resultados esclarecem um enigma antigo: a presença de silicatos cristalinos em cometas localizados nas bordas geladas do Sistema Solar, distantes das temperaturas necessárias para sua formação.

Imagem: Internet
As conclusões do estudo, publicadas na revista Nature, indicam que processos semelhantes podem ter ocorrido no primórdio do Sistema Solar, espalhando cristais pelo espaço onde se formaram planetas e outros corpos rochosos.
Com informações de Nanowerk







