Dezoito meses após vender a Silo AI para a AMD por US$ 665 milhões, o empreendedor finlandês Peter Sarlin deixou o cargo de CEO da unidade — agora batizada AMD Silo AI — para assumir a presidência de duas novas iniciativas: o laboratório físico de IA NestAI e a recém-criada QuTwo, voltada a ajudar empresas a migrar suas cargas de trabalho de inteligência artificial para ambientes quânticos.
Laboratório de IA para a era quântica
Financiada integralmente pelo family office de Sarlin, o PostScriptum, a QuTwo se define como “um laboratório de IA para a era quântica”. Em vez de aguardar a maturação do hardware quântico, a companhia já trabalha com clientes corporativos — entre eles a varejista europeia Zalando, com quem desenvolve “agentes de estilo de vida” capazes de sugerir proativamente produtos e experiências, indo além da busca tradicional.
A estratégia da QuTwo parte do pressuposto de que a IA enfrenta um limite de eficiência que a computação quântica poderá superar no futuro. Para isso, a empresa está criando o QuTwo OS, camada de orquestração que permitirá às organizações alternar entre processadores clássicos e quânticos, adotando configurações híbridas enquanto o hardware quântico não se consolida.
Hardware clássico com inspiração quântica
O sistema foi concebido para operar, indistintamente, algoritmos quânticos ou não-quânticos e diferentes tipos de chips. Segundo Sarlin, o chamado “caminho intermediário” — a computação inspirada em conceitos quânticos, mas executada em hardware convencional — já é viável hoje e contorna limitações atuais da tecnologia quântica.
Equipe e investimentos
O time reúne mais de 30 cientistas especializados em IA e computação quântica. Entre os nomes do lado quântico estão Kuan Yen Tan, cofundador da IQM, e Antti Vasara, membro do conselho da mesma empresa e presidente da SemiQon, fabricante finlandesa de semicondutores para chips quânticos. A vertente corporativa é representada por Sarlin, por Kaj-Mikael Björk, seu antigo cofundador na Silo AI, e pelo ex-CEO da Nokia, Pekka Lundmark, que também ingressou no conselho da QuTwo.
Via PostScriptum, Sarlin já investiu nas empresas finlandesas de computação quântica IQM e QMill. Ele aposta que, além de superar os computadores clássicos em diversas aplicações, a tecnologia reduzirá o consumo de energia da IA. Entretanto, prevê que as primeiras soluções exigirão ambientes de hardware misto, nos quais o QuTwo OS atuará como sistema de roteamento.

Imagem: Getty
Parcerias avaliadas em dezenas de milhões
Além da Zalando, a QuTwo iniciou um projeto de pesquisa em IA quântica com a instituição financeira finlandesa OP Pohjola. Desde o lançamento, a startup firmou acordos de codesenvolvimento — as chamadas design partnerships — avaliados em “dezenas de milhões”, segundo Sarlin. Esses contratos permitem que os clientes influenciem o produto enquanto garantem posição antecipada caso o avanço quântico se concretize.
A QuTwo sustenta que, embora esteja “construindo para o mundo quântico”, continua sendo, antes de tudo, uma empresa de inteligência artificial focada em deslocar cargas de trabalho de IA do processamento clássico para o quântico, sempre que isso trouxer ganho de desempenho ou eficiência.
Com informações de TechCrunch







