A xAI, laboratório de inteligência artificial criado por Elon Musk há três anos, passa por nova rodada de mudanças internas que reduziu de 11 para apenas dois o número de cofundadores ainda na empresa. As saídas fazem parte de uma “reconstrução desde os alicerces”, segundo o próprio Musk, que comentou o tema na quinta-feira (13) em sua rede social X.
Saídas recentes
Nesta semana, os pesquisadores Zihang Dai e Guodong Zhang deixaram a companhia após críticas de Musk ao desempenho das ferramentas de programação da xAI frente a concorrentes como Claude Code (Anthropic) e Codex (OpenAI). Um encontro geral realizado na quarta-feira (12) definiu metas para recuperar terreno até meados deste ano, de acordo com o empresário.
Em fevereiro, 11 engenheiros seniores — entre eles dois cofundadores — já haviam pedido demissão após uma reestruturação descrita por Musk como necessária para “um negócio maior”. O Financial Times informou que executivos da SpaceX e da Tesla passaram a avaliar colaboradores da xAI, demitindo os que não atingem o padrão esperado.
Quem permanece e quem chega
Restam na liderança original apenas Manuel Kroiss e Ross Nordeen, além de Musk. Para repor o quadro, o bilionário afirmou que ele e o executivo Baris Akis estão revisando candidaturas anteriormente recusadas e pretendem contatar candidatos que consideram promissores. “Minhas desculpas”, escreveu Musk aos profissionais ignorados no passado.
Dois reforços foram confirmados: Andrew Milich e Jason Ginsberg, vindos da Cursor, empresa focada em assistentes de código. Ambos eram responsáveis pela engenharia de produto e, agora, passam a ter acesso direto ao modelo de linguagem da xAI, algo que a Cursor obtinha de fornecedores externos.
Pressão por receitas
Ferramentas de programação são vistas como a principal fonte de receita dos laboratórios de IA. A xAI, que no início do ano ganhou usuários ao permitir que seu chatbot Grok gerasse imagens sexuais ou abusivas, precisa mostrar tração comercial. A urgência aumenta desde que a unidade foi incorporada à SpaceX, que estuda abrir capital; um braço de IA deficitário pode pesar na visão dos investidores.

Imagem: Getty
Projeto Macrohard em compasso de espera
A aposta de longo prazo da xAI é o Macrohard, “agente” virtual capaz de desempenhar qualquer tarefa de escritório. Escolhido em fevereiro para chefiar o projeto, Toby Pohlen saiu semanas depois, e o Business Insider divulgou que a iniciativa está pausada. Musk revelou que o desenvolvimento agora é conjunto com a Tesla, que trabalha em um agente complementar chamado Digital Optimus. O plano é que o modelo de linguagem da xAI oriente o software da montadora na execução de tarefas.
Comparativo de equipes
Dados do LinkedIn apontam que a xAI possui pouco mais de 5 000 funcionários, contra cerca de 7 500 da OpenAI e 4 700 da Anthropic.
Com apenas Kroiss e Nordeen na fundação original, Musk intensifica a caça a talentos para alcançar rivais e provar que o Grok — e futuros produtos como Macrohard — podem sustentar o crescimento da empresa.
Com informações de TechCrunch







