22 de janeiro de 2026 — Pesquisadores do Advanced Technology Institute (ATI) da Universidade de Surrey apresentaram um conjunto de nanosensores capazes de funcionar sem baterias nem fios, extraindo energia de movimentos sutis como respirar, caminhar ou virar-se na cama.
O dispositivo, concebido como um tapete sensorial macio que pode ser incorporado a roupas ou futuros wearables, baseia-se em geradores nanotriboelétricos formados por nanofibras. Em testes realizados com 16 sensores, o sistema registrou diferentes padrões de sono e movimentos corporais, demonstrando potencial para monitoramento de distúrbios do sono e cuidados com pessoas com demência, áreas que exigem conforto, confiabilidade e coleta contínua de dados.
“Nosso principal avanço foi criar um sensor extremamente sensível a movimentações mínimas enquanto gera sua própria energia”, afirmou Sajib Roy, estudante de pós-graduação envolvido no estudo. “Mesmo a partir de movimentos suaves, o dispositivo produz eletricidade suficiente para alimentar eletrônicos de baixo consumo, permitindo monitoramento contínuo sem manutenção.”
Os resultados foram publicados na revista Advanced Materials com o artigo “UltraSensitive Nanofiber-Based Triboelectric Nanogenerator for Energy Harvesting and Self-Powered Sensing”. Segundo o trabalho, trata-se de um dos sensores de pressão autossuficientes mais sensíveis já relatados para movimentos humanos de baixa frequência.
A tecnologia utiliza uma estrutura ultra-fina de nanofibras obtida por eletrofiação, na qual o material bidimensional à base de boro borofeno é embutido em um polímero flexível. Quando submetido a pressão ou movimento, o material gera um sinal elétrico que dispensa baterias e é suficientemente forte para acionar dispositivos eletrônicos de baixa potência, abrindo caminho para monitoramento de longo prazo em saúde, vestíveis e ambientes inteligentes.

Imagem: Internet
Para Ravi Silva, professor distinguido e diretor interino do Institute for Sustainability, a inovação demonstra “como avanços em ciência de materiais podem se traduzir em tecnologias de saúde práticas e de impacto”. O docente destacou que sistemas de monitoramento discretos e sem bateria apoiam a evolução da assistência domiciliar e contribuem para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3, relacionado à saúde e bem-estar.
O estudo também sustenta a proposta da Z-PULSE, empresa derivada de Surrey que busca transformar pesquisas em materiais avançados em soluções de monitoramento de saúde sem carga para o usuário.
Com informações de Nanowerk




