Um experimento liderado pela Universidade de Viena demonstrou que aglomerados metálicos formados por milhares de átomos permanecem sujeitos às leis da mecânica quântica, mesmo em dimensões comparáveis às de componentes eletrônicos modernos. O estudo, publicado em 21 de janeiro de 2026 na revista Nature, utilizou interferometria de matéria-onda para exibir o caráter ondulatório de nanopartículas de sódio.
Partículas de 8 nm em superposição
A equipe coordenada pelos físicos Markus Arndt e Stefan Gerlich produziu conjuntos frios de 5.000 a 10.000 átomos de sódio, com diâmetro aproximado de 8 nanômetros e massa superior a 170.000 unidades de massa atômica. Esses “pedaços” de metal atravessaram três grades de difração formadas por lasers ultravioleta. A primeira grade definiu a posição inicial dos aglomerados com espaçamento de um centésimo de micrômetro, inserindo cada partícula em uma superposição de trajetórias. No final do percurso, a sobreposição gerou um padrão listrado que coincidiu com as previsões quânticas.
“Intuitivamente, esperaríamos que um fragmento tão grande se comportasse como objeto clássico”, comentou o doutorando Sebastian Pedalino, autor principal do artigo. “O fato de ainda interferir comprova a validade da mecânica quântica nessa escala.”
Novo recorde de macroscopicidade
O experimento alcançou um índice de macroscopicidade μ = 15,5, cerca de dez vezes superior ao obtido em outros testes ao redor do mundo. De acordo com o coautor Klaus Hornberger, da Universidade de Duisburg-Essen, atingir resultado equivalente com elétrons exigiria preservar a superposição por aproximadamente 100 milhões de anos; as nanopartículas vienenses precisaram de apenas um centésimo de segundo.

Imagem: Internet
Aplicações em sensores de força
Além de investigar os limites da física quântica, o interferômetro da Universidade de Viena funciona como sensor de forças extremamente fracas, capaz de detectar interações na ordem de 10-26 N. Os pesquisadores planejam ampliar a infraestrutura para testar objetos ainda maiores e, assim, reforçar os limites experimentais da teoria quântica nos próximos anos.
Com informações de Nanowerk







