O veterano da indústria de jogos Jeff Kaplan, ex-diretor da Blizzard e agora líder do estúdio Kintsugiyama, afirmou que a inteligência artificial ainda não consegue suprir necessidades criativas e permanece limitada a tarefas de rotina. A declaração foi feita durante entrevista ao pesquisador Lex Fridman.
“A IA, no estado atual, é principalmente uma grande bagunça quando tentamos integrá-la ao desenvolvimento”, disse Kaplan. Segundo o desenvolvedor de Overwatch, a tecnologia demonstra excesso de confiança nos resultados que oferece, embora possa ter utilidade em processos específicos.
Uso pontual para evitar “tedium”
Kaplan trabalha no FPS The Legend of California com uma equipe de 34 pessoas. Para ele, ferramentas como ChatGPT, Google Gemini e o gerador de arte Midjourney ajudam apenas em tarefas repetitivas. Um exemplo citado foi a necessidade de redimensionar 2.000 imagens cujo tamanho estava incorreto. O ajuste, realizado por meio de comandos no ChatGPT, levou um minuto — trabalho que, manualmente, consumiria várias horas.
O designer afirmou que não contrataria um estagiário apenas para atividades desse tipo. “Facilitou minha vida e não tirou o emprego de ninguém”, explicou.
Preocupações morais e limites criativos
Kaplan também destacou questões éticas no uso da tecnologia. Para ele, aproveitar criações alheias sem autorização para treinar IA equivale a roubo. “Nenhum trabalho criativo deveria ser usado sem permissão”, reforçou.

Imagem: Internet
Apesar dos avanços, Kaplan acredita que algoritmos não conseguem reproduzir o talento de artistas como Arnold Tsang, ex-Blizzard, nem narrar histórias como Chris Metzen, executivo da mesma empresa. “O espírito humano é insubstituível”, concluiu. Para o desenvolvedor, a IA ainda é apenas um “delirante sonho interessante”.
Com informações de GameSpot






