Implante vascular com nanopartículas magnéticas elimina mais de 90% das células tumorais circulantes em testes com animais

Pesquisadores chineses apresentaram um sistema implantável capaz de capturar e destruir células tumorais circulantes (CTCs) diretamente na corrente sanguínea. Em experimentos com coelhos e cabras, o dispositivo alcançou eficiência de captura de 60,3% e 54,7%, respectivamente, eliminando mais de 90% das células retidas.

A tecnologia reúne dois elementos principais. O primeiro é um scaffold vascular roscado, formado por nanofibras de ácido polilático produzidas por eletrofiação. O desenho helicoidal da superfície interna modifica a dinâmica do fluxo: simulações em elementos finitos mostraram redução da velocidade radial perto da parede, criando uma zona de enriquecimento que direciona as CTCs para o implante enquanto células sanguíneas normais seguem pelo centro.

O segundo componente são esferas magnéticas de 173 nm, conhecidas como HM-MBs. Esses nanopartículas porosas de óxido de ferro carregam o corante indocianina verde e são revestidas por membranas híbridas de células tumorais e leucócitos. A camada tumoral permite reconhecimento homotípico das CTCs; a membrana de glóbulos brancos reduz a detecção pelo sistema imune.

Após injeção, as HM-MBs aderem às células malignas. Um campo magnético externo atrai o conjunto CTC-partícula para o scaffold. Em seguida, luz próximo-infravermelha ativa a indocianina verde, gerando calor e espécies reativas de oxigênio que destroem seletivamente as células capturadas. Durante a síntese das partículas, os cientistas incluíram L-arginina; sob irradiação, a molécula libera óxido nítrico, ajudando a dilatar vasos e conter inflamações.

Em circuito fechado in vitro, a plataforma atingiu 83,7% de captura com pureza de 98% usando scaffolds de 2 mm. Nos coelhos, o implante na veia da parede abdominal reteve 60,3% das CTCs, e o tratamento óptico eliminou 92% delas. Nas cabras, cujo diâmetro da veia jugular (≈5,4 mm) se aproxima dos vasos humanos, a eficiência de captura foi de 54,7% e a eliminação, de 90,5%.

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Imagem: Nanowerk https

Exames sanguíneos revelaram alterações transitórias compatíveis com resposta inflamatória cirúrgica, normalizadas em até 14 dias. Funções hepática, renal, coagulação e níveis de imunoglobulinas permaneceram estáveis.

Os autores reconhecem limitações, como a heterogeneidade das CTCs — que pode afetar o reconhecimento — e a baixa penetração da luz infravermelha, restringindo o uso a vasos acessíveis pela superfície corporal. Estudos de segurança em longo prazo ainda são necessários antes de aplicações clínicas.

Com informações de Nanowerk

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