Tóquio, 14 de março de 2026 – A Honda interrompeu todos os seus programas recentes de veículos elétricos (EVs) e decidiu finalizar a produção de modelos já apresentados, reduzindo drasticamente sua participação no segmento que mais cresce na indústria automotiva.
Paralisações anunciadas na quinta-feira
Na quinta-feira, a montadora suspendeu o desenvolvimento de três projetos considerados fundamentais para sua estratégia elétrica: o Acura RDX elétrico e os modelos Honda 0 (sedã e utilitário-esportivo). Os veículos, concebidos desde o início para operar com baterias, ainda estavam em fase de engenharia interna e pouco se sabia sobre especificações ou datas de lançamento.
Produção do Prologue também será encerrada
No dia seguinte, fontes ouvidas pelo Automotive News confirmaram que a empresa vai descontinuar o Honda Prologue, utilitário esportivo desenvolvido integralmente pela General Motors. O modelo havia iniciado vendas limitadas em 2024 e era visto como o primeiro passo da marca no mercado norte-americano de EVs.
Justificativas e cenário competitivo
A companhia atribuiu a decisão a dois fatores: tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos e a concorrência de fabricantes chineses, que oferecem elétricos de menor custo. Apesar disso, analistas recordam que a Honda ainda não apresentava um plano robusto para eletrificação e permanecia focada em motores a combustão.
Riscos de ficar para trás
O cancelamento levanta preocupações sobre o atraso da marca em duas transformações-chave do setor: motrizes elétricas e veículos definidos por software (SDVs). Sem modelos a bateria em produção, a empresa tende a perder experiência em desenvolvimento, cadeia de suprimentos e feedback de consumidores, etapas consideradas essenciais para competir com Tesla, BYD, Rivian e outros players que atualizam funções dos carros por meio de software.

Imagem: Internet
Impacto financeiro já visível
Na China, principal mercado global de elétricos, a Honda registrou perdas de quase US$ 16 bilhões no último exercício fiscal. Em relatório recente, a montadora admitiu que não conseguiu oferecer “valor agregado” diante de rivais especializados em baterias, fato que reduziu sua competitividade.
Sem um cronograma claro para novos lançamentos elétricos, a montadora japonesa pode enfrentar desafios semelhantes em outros mercados, à medida que regulamentações de emissões se tornam mais rígidas e consumidores passam a exigir atualizações de software e custos de manutenção mais baixos, características típicas dos EVs.
Com informações de TechCrunch







