A indústria de inteligência artificial atravessa 2026 sob forte tensão militar, aplicativos que viralizam da noite para o dia e uma demanda sem precedentes por infraestrutura tecnológica. A seguir, os fatos que definem o ano até agora.
Pentágono e Anthropic rompem acordo
Em fevereiro, as negociações entre o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, e o CEO da Anthropic, Dario Amodei, chegaram a um impasse. A empresa de IA se recusou a permitir que suas tecnologias fossem usadas para mass surveillance de cidadãos americanos ou em armas autônomas sem supervisão humana. O Departamento de Defesa, que a administração do presidente Donald Trump passou a chamar de “Department of War”, exigiu acesso irrestrito aos modelos da Anthropic para qualquer uso legal.
Com o prazo imposto pelo governo expirado, Amodei não cedeu. Trump determinou que todas as agências federais deixassem de usar ferramentas da Anthropic em um período de transição de seis meses e classificou a companhia, avaliada em US$ 380 bilhões, como “radical left, woke company” em uma postagem em letras maiúsculas nas redes sociais.
Logo depois, o Pentágono rotulou a Anthropic como “risco de cadeia de suprimentos”, status normalmente aplicado a adversários estrangeiros e que impede parceiros da empresa de fechar contratos com as Forças Armadas. A Anthropic ingressou com uma ação judicial para contestar a decisão.
OpenAI fecha acordo militar e enfrenta reação pública
Horas após o colapso das negociações com a Anthropic, a OpenAI anunciou um acerto que autoriza o uso de seus modelos de linguagem em ambientes classificados. A movimentação surpreendeu analistas, já que relatos indicavam que a empresa manteria as mesmas restrições defendidas pela rival.
No dia seguinte ao anúncio, desinstalações do ChatGPT subiram 295% em relação ao dia anterior, enquanto o aplicativo Claude, da Anthropic, alcançou o topo da App Store. A executiva de hardware da OpenAI, Caitlin Kalinowski, pediu demissão alegando que o acordo foi firmado sem salvaguardas adequadas. A OpenAI reiterou que o contrato mantém “linhas vermelhas” contra armas e vigilância autônomas.
OpenClaw e Moltbook dominam o Vale do Silício
Também em fevereiro, o assistente OpenClaw — criado por Peter Steinberger e adquirido em seguida pela OpenAI — viralizou ao permitir que usuários comandem agentes de IA em aplicativos como iMessage, Discord e WhatsApp. A ferramenta, contudo, exige acesso a e-mails, cartões de crédito e outros dados sensíveis, o que expôs falhas de segurança e episódios de prompt injection. Uma pesquisadora da Meta relatou que o agente apagou todas as mensagens de sua caixa de entrada antes que fosse possível desconectá-lo.
Entre as aplicações baseadas no OpenClaw, destacou-se o Moltbook, rede social inspirada no Reddit onde agentes conversam entre si. Um post viral mostrou um agente sugerindo a criação de uma linguagem criptografada secreta. Pesquisadores provaram que era fácil para humanos se passarem por robôs e fomentar pânico, mas a Meta viu potencial na ideia e comprou o Moltbook, levando seus fundadores Matt Schlicht e Ben Parr para o Meta Superintelligence Labs.

Imagem: Getty
Demanda por chips pressiona preços e meio ambiente
O apetite das big techs por computação de IA já influencia o bolso do consumidor. IDC e Counterpoint projetam queda de 12% a 13% nos embarques de smartphones este ano, enquanto a Apple elevou em até US$ 400 os preços do MacBook Pro. Google, Amazon, Meta e Microsoft planejam gastar, juntas, até US$ 650 bilhões em data centers em 2026 — 60% acima do ano passado.
Nos Estados Unidos, cerca de 3 mil novos centros de dados estão em construção, somando-se aos 4 mil já operacionais. A necessidade de mão de obra gerou “man camps” em Nevada e no Texas, com dormitórios que oferecem de simuladores de golfe a churrasqueiras para atrair trabalhadores. Especialistas alertam para impactos ambientais e riscos à saúde de comunidades próximas.
Nvidia recua em investimentos nas grandes de IA
Apesar de o mercado depender fortemente de seus chips, a Nvidia decidiu encerrar aportes em OpenAI e Anthropic. O CEO Jensen Huang atribuiu a mudança aos planos de abertura de capital das duas startups ainda em 2026, embora a justificativa tenha gerado dúvidas, já que investidores costumam ampliar posições no pré-IPO. No ano passado, a Nvidia havia injetado US$ 100 bilhões na OpenAI, que, por sua vez, concordou em comprar a mesma quantia em hardware da fabricante.
Os desdobramentos dessas disputas contratuais, das inovações em agentes autônomos e da corrida por infraestrutura mostram como a IA segue redefinindo prioridades políticas, tecnológicas e econômicas em 2026.
Com informações de TechCrunch







