São Francisco (EUA) – Criado em 2010 por Warren Buffett e Bill Gates, o Giving Pledge — iniciativa que convida as pessoas mais ricas do mundo a destinar pelo menos 50 % de sua fortuna à filantropia em vida ou após a morte — perde força. Um número crescente de bilionários questiona a permanência no acordo, que é voluntário e sem caráter jurídico.
Adesões em queda
No primeiro quinquênio do programa, 113 famílias assinaram a carta-compromisso. Entre 2015 e 2019, foram mais 72. De 2020 a 2024, a cifra caiu para 43, e apenas quatro novos signatários aderiram em 2024. A lista inclui nomes influentes do setor de tecnologia, como Sam Altman, Mark Zuckerberg, Priscilla Chan e Elon Musk.
Críticas internas
O investidor Peter Thiel, que nunca subscreveu o Giving Pledge, afirmou ao The New York Times ter incentivado cerca de uma dúzia de participantes a revogar o compromisso. Segundo ele, o grupo “perdeu energia” e se tornou um “clube boomer falso e próximo de Epstein”. Thiel relatou ter parabenizado o CEO da Coinbase, Brian Armstrong, após a carta de adesão do executivo desaparecer silenciosamente do site do Pledge em meados de 2024. Também sugeriu que Musk deveria retirar sua assinatura para evitar que recursos fossem destinados a “ONGs de esquerda escolhidas por Gates”.
Thiel alega ainda que alguns bilionários se sentem “chantageados” pela opinião pública para permanecer no acordo, apesar de se tratar de promessa não obrigatória. O argumento contrasta com a postura de figuras como Musk, que mantém alta rejeição popular, e Zuckerberg, que enfrentou pressões regulatórias prolongadas sem recuar.
Filantropia sob novos moldes
Mesmo entre os que seguem comprometidos, o formato de doação mudou. No início de 2026, a Chan Zuckerberg Initiative (CZI) cortou cerca de 70 postos de trabalho — 8 % do quadro — e redirecionou a atuação para a rede Biohub, dedicada à pesquisa biológica. “O Biohub será o foco principal da nossa filantropia daqui em diante”, declarou Zuckerberg em novembro passado. O casal mantém a promessa de doar 99 % da riqueza acumulada ao longo da vida.
Bill Gates, por sua vez, anunciou que pretende destinar praticamente todo o seu patrimônio — mais de US$ 200 bilhões — à Fundação Gates até 2045, quando a entidade deve encerrar as atividades. Citando Andrew Carnegie, o cofundador da Microsoft reiterou que não deseja “morrer rico”.

Imagem: Getty
Concentração de riqueza cresce
Enquanto isso, a fortuna dos bilionários segue avançando. Desde 2020, o patrimônio global desse grupo aumentou 81 %, alcançando US$ 18,3 trilhões, segundo dados compilados pela reportagem. O 1 % mais rico dos lares norte-americanos detém hoje riqueza equivalente à soma dos 90 % de menor renda, o maior nível registrado pelo Federal Reserve desde 1989.
A disparidade reflete-se em plataformas de arrecadação coletiva. O GoFundMe registrou alta de 17 % em campanhas para cobrir despesas básicas — aluguel, alimentação, combustível — no ano passado. Durante a paralisação federal de 43 dias que suspendeu a distribuição de cupons de alimentação, esse tipo de campanha aumentou seis vezes.
Relatório da Oxfam divulgado em 2026 apontou que, somente em 2025, o aumento de riqueza dos bilionários seria suficiente para conceder US$ 250 a cada habitante do planeta e ainda deixá-los US$ 500 bilhões mais ricos.
Com informações de TechCrunch







