A Capital One anunciou nesta quinta-feira (22) a aquisição da fintech Brex por US$ 5,15 bilhões em dinheiro e ações. O acordo, confirmado em comunicado divulgado 30 minutos após reportagem do Wall Street Journal, representa pouco mais de 40% da última avaliação privada da Brex, de US$ 12,3 bilhões, registrada na rodada Série D-2 em 2022.
Ganhos expressivos para os primeiros investidores
Apesar do corte na avaliação, o negócio garante retornos significativos para quem apostou na Brex logo no início. A Ribbit Capital, que liderou a Série A de US$ 7 milhões em 2017, deve obter multiplicação estimada em aproximadamente 700 vezes o valor investido. Entre os primeiros acionistas estão ainda Y Combinator, Kleiner Perkins, DST Global e investidores individuais como Peter Thiel e Max Levchin.
Contexto de mercado e concorrência
O anúncio ocorre enquanto a principal rival da Brex, a Ramp, continua em ritmo acelerado. A concorrente já levantou US$ 2,3 bilhões em capital e viu sua avaliação saltar de US$ 13 bilhões em março de 2025 para US$ 32 bilhões em novembro do mesmo ano, segundo divulgações da própria empresa.
Expansão europeia recente
Cinco meses antes da venda, a Brex obteve licença para operar na União Europeia, passando a emitir cartões de crédito e débito e oferecer produtos de gestão de despesas a empresas nos 30 países do bloco. A autorização elimina a necessidade de que clientes mantenham presença nos Estados Unidos.
O que a Capital One leva
Com a compra, a Capital One adiciona a sua plataforma o sistema tecnológico da Brex, um portfólio de clientes que inclui TikTok, Robinhood e Intel, e acesso imediato ao mercado corporativo europeu. A transação também incorpora cerca de US$ 13 bilhões em depósitos administrados pela Brex em bancos parceiros e fundos de mercado monetário. A conclusão do negócio é esperada para o segundo trimestre.
Trajetória dos fundadores brasileiros
Fundada em 2017 pelos brasileiros Pedro Franceschi e Henrique Dubugras, a Brex surgiu após a dupla abandonar o curso em Stanford e ingressar na Y Combinator. Antes disso, eles já haviam vendido, aos 16 anos, uma processadora de pagamentos no Brasil por mais de US$ 1 bilhão. Atualmente, Dubugras atua como presidente do conselho, função assumida em 2024, enquanto Franceschi permanecerá CEO após a incorporação.

Imagem: Internet
Momentos conturbados
Ao longo da trajetória, a Brex enfrentou desafios: em 2019, os então co-CEOs compraram o restaurante South Park Cafe, em San Francisco, para criar um espaço para clientes — decisão prejudicada pela pandemia. Em 2022, a fintech encerrou as contas de milhares de pequenas empresas sem financiamento de investidores profissionais, medida que gerou críticas mas permitiu focar em clientes corporativos de maior porte.
Impacto para investidores mais recentes
Os aportes de estágios avançados, feitos por TCV, GIC, Baillie Gifford, Madrone Capital Partners, Durable Capital Partners, Valiant Capital Management e Base10, ocorreram com a Brex avaliada a partir de US$ 7,4 bilhões. Para esses acionistas, o retorno não atinge as expectativas iniciais, mas a liquidez proporcionada pela venda é considerada positiva em um cenário de saídas escassas.
Com informações de TechCrunch







