A Alloy, jovem empresa sediada em Sydney, quer resolver um desafio comum na indústria de robótica: o enorme volume de informações geradas pelos robôs. Mesmo modelos considerados simples podem produzir até 1 terabyte de dados por dia, provenientes de câmeras e diversos sensores.
Lançada em fevereiro de 2025, a startup desenvolve uma infraestrutura de dados que codifica e rotula os arquivos capturados, permitindo busca em linguagem natural e criação de regras para sinalizar falhas automaticamente — processo comparado pelo fundador e presidente-executivo, Joe Harris, a ferramentas de observabilidade usadas em software.
“O padrão hoje é procurar uma anomalia e reproduzir os dados. As equipes passam horas vasculhando registros para entender se o problema já ocorreu antes ou se é apenas um caso isolado”, afirmou Harris. Segundo ele, à medida que os fabricantes ampliam suas frotas, a complexidade tende a crescer.
Trajetória do fundador
Fascinado por robótica desde criança, Harris concluiu a universidade em 2018, quando o setor ainda oferecia poucas vagas. Trabalhou em empresas de tecnologia australianas como a Atlassian e a Eucalyptus até decidir, em 2024, abrir o próprio negócio. A intenção inicial era criar robôs para agricultura vertical, mas conversas com outros empreendedores evidenciaram que a dor principal estava na gestão de dados — problema que passou a ser o foco da Alloy.
Primeiros clientes e investimento
Em pouco mais de seis meses, a companhia fechou acordos de co-desenvolvimento com quatro fabricantes australianos e planeja ingressar no mercado norte-americano ainda este ano. “Esses clientes já sentiram na pele o custo de construir e manter soluções internas e preferem uma ferramenta dedicada, algo como um Databricks para robótica”, explicou o executivo.
Para financiar a expansão, a Alloy levantou pouco mais de AUD 4,5 milhões (cerca de US$ 3 milhões) em rodada pre-seed liderada pela Blackbird Ventures. Participaram ainda Airtree Ventures, Xtal Ventures, Skip Capital e investidores-anjo ligados ao setor.

Imagem: Internet
Cenário competitivo
Segundo a empresa, ainda há poucos concorrentes diretos. Muitas indústrias de robótica adaptam plataformas de dados criadas para outros fins ou constroem soluções próprias que não contemplam a variedade de formatos — imagens, vídeos, leituras de sensores — gerados pelos robôs.
“Nunca houve momento melhor para criar uma empresa de robótica”, avalia Harris. “Queremos permitir que as próximas 10 mil ou 100 mil companhias que surgirão não precisem reinventar a roda em gerenciamento de dados.”
Com informações de TechCrunch







