São Francisco, 7 de outubro de 2025 – Zelda Williams, filha do ator Robin Williams, utilizou seu Instagram na última segunda-feira para pedir que fãs interrompam o envio de vídeos criados por inteligência artificial com a imagem do pai. “Por favor, parem de me mandar esses vídeos de IA do meu pai. Não quero ver e nunca vou entender que isso seja aceitável”, escreveu ela nos stories.
O apelo surgiu poucos dias após o lançamento do modelo de vídeo Sora 2 e do aplicativo social Sora, da OpenAI, capazes de gerar deepfakes realistas de usuários, amigos autorizados e personagens de animação – além de figuras já falecidas.
Regra vale para vivos, mas não para mortos
Pelo regulamento do Sora, apenas pessoas vivas podem ser recriadas e somente com consentimento explícito. Para personalidades falecidas, porém, praticamente não há barreiras. Segundo o Student Press Law Center, não é crime difamar quem já morreu, o que abre margem para que a empresa permita essas criações.
Em testes feitos pelo TechCrunch, o sistema recusou pedidos envolvendo o ex-presidente Jimmy Carter (falecido em 2024) e o cantor Michael Jackson (morto em 2009), mas gerou vídeos com a imagem de Robin Williams, falecido em 2014. O recurso cameo, que permite a usuários vivos definirem instruções sobre o próprio uso de imagem, obviamente não contempla quem já morreu.
Silêncio da OpenAI e críticas do setor
A OpenAI não respondeu aos questionamentos sobre a permissão para recriar celebridades falecidas. Críticos acusam a companhia de flexibilizar demais suas políticas, lembrando que, logo após o lançamento, o Sora foi inundado por clipes com personagens protegidos por direitos autorais, como Peter Griffin e Pikachu.
Inicialmente, o CEO Sam Altman afirmou que estúdios e agências de entretenimento teriam de optar formalmente pela exclusão de suas propriedades intelectuais do Sora, posição que gerou reação da Motion Picture Association (MPA). A entidade defendeu a aplicação das leis de copyright vigentes, levando Altman a recuar.

Imagem: Getty
Enquanto isso, outras plataformas, como o xAI, oferecem ainda menos salvaguardas, permitindo inclusive a geração de deepfakes pornográficos. Especialistas temem que, sem regulamentação, o uso indiscriminado de imagens de pessoas – vivas ou mortas – se torne prática comum.
Para Zelda Williams, esse cenário reduz legados reais a “marionetes de TikTok”. “É estúpido, é perda de tempo e energia, e garanto que não é o que ele gostaria”, concluiu.
Com informações de TechCrunch





