A rede social X voltou a abrir o código de seu algoritmo de recomendação nesta terça-feira (20), cumprindo promessa feita pelo proprietário Elon Musk na semana passada. O bilionário havia anunciado que disponibilizaria, em até sete dias, todo o conjunto de instruções usado para definir quais publicações orgânicas e anúncios são exibidos aos usuários, além de garantir atualizações de transparência a cada quatro semanas.
O que mudou em relação a 2023
Em 2023, quando ainda se chamava Twitter, a plataforma havia liberado parte do código-fonte, iniciativa que acabou criticada por especialistas por mostrar apenas fragmentos do sistema. Agora, o repositório no GitHub inclui um texto explicativo e um diagrama que detalham a geração do feed.
Como o algoritmo funciona
Segundo a documentação publicada, o processo leva em conta:
- histórico de engajamento do usuário (cliques, curtidas e afins);
- publicações recentes de contas seguidas;
- análise por aprendizado de máquina de conteúdos fora da rede do usuário que possam ser relevantes.
Depois da coleta, o sistema remove mensagens de perfis bloqueados, termos silenciados, conteúdo violento ou classificado como spam. Na etapa seguinte, as postagens restantes são ranqueadas conforme probabilidade de o usuário curtir, responder, republicar ou favoritar, além de critérios de relevância e diversidade.
Papel do Grok
Todo o fluxo é descrito como baseado em inteligência artificial. A empresa afirma usar exclusivamente um transformador derivado do Grok para aprender relevância a partir das sequências de interação dos usuários, sem ajuste manual de variáveis. De acordo com o texto, isso reduz a complexidade dos fluxos de dados e da infraestrutura.

Imagem: Getty
Contexto de transparência e pressões externas
A nova abertura ocorre em meio a questionamentos sobre a transparência da companhia. Desde que passou a ser privada em 2022, X diminuiu a frequência de relatórios públicos e só publicou o primeiro balanço de transparência em setembro de 2024. Em dezembro do mesmo ano, a União Europeia aplicou multa de US$ 140 milhões por descumprimento do Digital Services Act, citando dificuldades criadas pelo sistema de verificação de contas.
Além disso, nas últimas semanas, o chatbot Grok foi investigado pelo procurador-geral da Califórnia e por parlamentares norte-americanos após denúncias de geração de imagens sexualizadas envolvendo mulheres e menores.
Com informações de TechCrunch







