O presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, telefonou nesta segunda-feira (6.out.2025) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, classificou o chefe do Executivo brasileiro como “bom homem” e passou seu número pessoal para contatos diretos. O gesto ocorre no momento em que Washington discute possíveis tarifas sobre produtos do Brasil.
Rubio liderará negociações
Durante a conversa, Trump informou que o secretário de Estado Marco Rubio, figura ligada à ala mais à direita do Partido Republicano, será o responsável por conduzir as tratativas tarifárias com Brasília. Rubio é o mesmo integrante do governo norte-americano que coordena sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal brasileiro, fato que gerou reação no Congresso Nacional.
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, como o deputado Eduardo Bolsonaro, passaram a defender que a escolha de Rubio coloca pressão adicional sobre o Planalto. Integrantes do governo Lula, porém, avaliam que o envolvimento direto do secretário pode sinalizar disposição de acordo e até revisão de sanções.
Tensão interna nos EUA
No plano doméstico, Trump enfrenta resistência do Judiciário após anunciar intenção de enviar a Guarda Nacional a Chicago, Illinois, Portland e outras cidades. A medida foi justificada pelo presidente norte-americano como resposta ao aumento da violência. Diante de decisões judiciais contrárias, Trump ameaçou recorrer à Lei de Insurreição de 1807, que permite o emprego de tropas federais dentro do território dos EUA.
Ministros brasileiros resistem a deixar cargos
No Brasil, a ligação de Trump reforçou o momento positivo de Lula, que tenta consolidar alianças para a eleição de 2026. Os ministros Celso Sabino (Turismo) e André Fufuca (Esportes) permanecem nos cargos apesar da orientação de seus partidos. O União Brasil marcou para quarta-feira (9.out.) a decisão sobre eventual expulsão de Sabino, enquanto o PP cobra a saída de Fufuca.
Movimentação eleitoral de Bolsonaro
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou que o ex-presidente Bolsonaro já definiu que apoiará apenas dois nomes ao Planalto em 2026: o governador paulista Tarcísio de Freitas ou o governador paranaense Ratinho Jr.
Reforma administrativa e Judiciário
Recém-empossado na presidência do Supremo Tribunal Federal, o ministro Edson Fachin declarou oposição a pontos da proposta de reforma administrativa em discussão na Câmara que atingem a autonomia do Judiciário, como o fim da aposentadoria compulsória como penalidade disciplinar e o corte de supersalários.

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Condenação de ex-governadores do Rio
A Justiça do Rio de Janeiro condenou os ex-governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão a pagar aproximadamente R$ 4 bilhões por enriquecimento ilícito e prejuízos ao erário em esquema de concessão de benefícios fiscais em troca de doações eleitorais não declaradas.
CPI do INSS e movimentações financeiras
Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que o lobista Danilo Trento recebeu cerca de R$ 19,2 milhões da J&F, controlada por Joesley Batista. O documento indica indícios de lavagem de dinheiro e ocultação de origem ilícita, tema que deve ser analisado pela CPI do INSS.
Com a agenda externa favorável após o contato com Trump e disputas internas nos partidos de centro-direita, o Palácio do Planalto busca consolidar apoios enquanto acompanha negociações tarifárias em Washington e debates econômicos no Congresso.
Com informações de UOL






