Equipe mantém nanogotas de hélio carregadas presas por até um minuto e amplia estudos ultrafrios

Pela primeira vez, cientistas conseguiram armazenar nanogotas de hélio eletricamente carregadas em uma armadilha de íons por até 60 segundos, dez mil vezes mais do que o intervalo de poucos milissegundos obtido em experimentos anteriores. O resultado, divulgado em 20 de janeiro de 2026 pela Universidade de Innsbruck, abre caminho para investigações ultrafrias mais longas e detalhadas.

As nanogotas de hélio são aglomerados de átomos a temperaturas extremamente baixas, próximos às condições do espaço interestelar. A captura prolongada permite analisar, em laboratório, processos que afetam partículas presentes no meio interestelar, algo que até agora era limitado ao curto percurso da fonte de gotículas até o detector.

“O armazenamento prolongado possibilita investigar com precisão o que acontece dentro das gotículas”, afirmou o doutorando Matthias Veternik, primeiro autor do estudo. Segundo ele, colisões com o gás residual da câmara de vácuo e com moléculas absorvedoras de infravermelho, como a água, ainda reduzem a vida útil das gotículas, informação essencial para otimizar a tecnologia da armadilha.

A pesquisa contou com a experiência de Prof. Lutz Schweikhard, da Universidade de Greifswald, especialista em construção e uso de armadilhas de íons.

O novo aparato permite capturar e manter as gotículas por vários segundos, o que deve melhorar medições de reações químicas e propriedades espectroscópicas em temperaturas ultrabaixas.

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Imagem: Internet

O próximo passo já está definido. “Ao integrar cilindros de detecção na armadilha, poderemos registrar o sinal induzido pelas gotículas altamente carregadas, determinando a razão massa-carga e a carga de cada nanogota”, explicou Elisabeth Gruber, que recebeu recentemente o prêmio FWF-ASTRA para desenvolver a técnica. A equipe pretende acompanhar a evolução temporal das gotículas carregadas e criar uma nova forma de nanocalorimetria.

Os resultados, publicados na revista Physical Review Letters sob o título “Extending the Observation Time of Charged Helium Droplets to the Minute Timescale”, reforçam o potencial das nanogotas de hélio como laboratório ultrafrio para pesquisas futuras.

Com informações de Nanowerk

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