São Paulo, 27 de janeiro de 2026. Uma nova ferramenta de inteligência artificial examinou cerca de 100 milhões de recortes de imagens do Telescópio Espacial Hubble e localizou 1.300 objetos com aparência incomum em apenas dois dias e meio, sendo mais de 800 até então inéditos na literatura científica.
Desenvolvido por David O’Ryan e Pablo Gómez, da Agência Espacial Europeia (ESA), o algoritmo AnomalyMatch foi treinado para reconhecer padrões raros nos dados do Hubble Legacy Archive, que reúne observações acumuladas ao longo de 35 anos. Após a triagem automática, os pesquisadores revisaram manualmente as fontes com maior pontuação e confirmaram as anomalias.
A maior parte dos achados são galáxias em processo de fusão ou interação, caracterizadas por morfologias incomuns ou por caudas de estrelas e gás. O conjunto inclui ainda lentes gravitacionais — nas quais a gravidade de uma galáxia distorce a luz de um objeto de fundo —, galáxias ricas em regiões de formação estelar, estruturas apelidadas de “águas-vivas” devido a seus tentáculos gasosos e discos de formação planetária vistos de lado, semelhantes a hambúrgueres. Algumas dezenas de objetos não se enquadraram em nenhuma classificação existente.
Entre os destaques, seis corpos celestes nunca antes catalogados foram reunidos em uma imagem composta do Hubble: três lentes gravitacionais com arcos distorcidos, uma fusão de galáxias, uma galáxia em anel e outra que escapou às categorias conhecidas.
O estudo, publicado na revista Astronomy & Astrophysics sob o título “Identifying astrophysical anomalies in 99.6 million source cutouts from the Hubble legacy archive using AnomalyMatch”, marca a primeira busca sistemática por anomalias em todo o acervo do Hubble. Segundo os autores, métodos baseados em IA serão essenciais para lidar com o volume de dados previsto em futuros observatórios, como o Nancy Grace Roman Space Telescope (NASA), o Euclid (ESA) e o Vera C. Rubin Observatory (Fundação Nacional de Ciência e Departamento de Energia dos EUA).

Imagem: Internet
Operando há mais de três décadas, o Telescópio Espacial Hubble é um projeto conjunto da NASA e da ESA. A gestão é realizada pelo Goddard Space Flight Center, em Maryland, com apoio da Lockheed Martin Space, enquanto o Space Telescope Science Institute, em Baltimore, conduz as operações científicas.
Com informações de Nanowerk





