Cientistas da Universidade de Tohoku, no Japão, apresentaram em 30 de janeiro de 2026 um novo método para purificar águas residuais contaminadas por corantes industriais não biodegradáveis. A solução utiliza um framework orgânico covalente tridimensional (COF) batizado de TU-123, capaz de capturar seletivamente corantes aniônicos.
O material, descrito na revista Journal of the American Chemical Society, é o primeiro COF imidazólico 12+3-conectado com topologia aea, obtido por ciclocondensação entre blocos de aldeído e amina. A estrutura altamente porosa funciona como uma esponja, facilitando a separação dos corantes do meio aquoso.
Desempenho na remoção de corantes
Em testes com o corante aniônico Acid Orange 7, o TU-123 apresentou capacidade máxima de adsorção de 495,07 mg g-1 e eficiência de remoção superior a 86 % em condições neutras de pH. A captura rápida, a possibilidade de reutilização do material e a resistência química foram confirmadas em ambientes aquosos complexos, incluindo amostras reais de efluentes industriais.
O desempenho do COF decorre da protonação dos sítios de nitrogênio do imidazol, que confere carga positiva à superfície e favorece a atração eletrostática de moléculas de corante negativamente carregadas.
Novo caminho sintético
Ao comentar o estudo, o professor associado Saikat Das afirmou que a equipe “foi além da reação clássica de Debus-Radziszewski” ao adotar uma rota de dois componentes para construir COFs 3D altamente conectados e estáveis. Já o pesquisador Yuichi Negishi destacou que a abordagem “abre caminhos sustentáveis para tecnologias avançadas de purificação de água”.

Imagem: Internet
Os autores ressaltam que a combinação de ordenamento cristalino, poros interconectados e robustez química torna o TU-123 um candidato promissor para aplicação em escala industrial no tratamento de águas residuais contendo corantes tóxicos.
Com informações de Nanowerk





