Empresas de robotáxis se recusam a revelar frequência de ajuda remota a veículos autônomos, aponta relatório do Senado dos EUA

Um relatório divulgado nesta terça-feira (31) pelo senador norte-americano Ed Markey (Partido Democrata, Massachusetts) afirma que sete companhias de veículos autônomos — Aurora, May Mobility, Motional, Nuro, Tesla, Waymo e Zoox — não informaram com que frequência seus carros precisam de orientação de operadores remotos. A negativa veio após cartas enviadas pelo parlamentar em fevereiro com 14 perguntas detalhadas sobre a prática.

Segundo o documento, há “falta impressionante de transparência” no setor e um “mosaico de práticas de segurança”, que variam desde a qualificação dos operadores e tempo de resposta até o uso de mão de obra no exterior, sem padrões federais que regulem a atividade.

Diante dos resultados, Markey solicitou à Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário (NHTSA, na sigla em inglês) que investigue o uso de assistência remota e adiantou estar preparando um projeto de lei para impor limites rigorosos a essa operação.

Respostas incompletas

Nenhuma das empresas respondeu diretamente quantas vezes recorre a operadores humanos. Waymo e May Mobility classificaram o dado como “informação confidencial de negócios”, enquanto a Tesla sequer incluiu a pergunta em sua resposta.

A Waymo declarou apenas que melhorias em seu sistema reduziram “materialmente” os pedidos de ajuda por milha, sem apresentar números. A companhia também informou que a “grande maioria” das solicitações é resolvida pelo próprio software antes que o atendente remoto interfira.

Operadores no exterior e controle direto

Entre as sete empresas, apenas a Waymo confirmou empregar atendentes fora dos Estados Unidos — metade deles nas Filipinas. Embora exija carteira de motorista local desses profissionais, o gabinete de Markey destacou que tal documento não substitui a habilitação norte-americana, pois as regras de trânsito divergem por país.

Seis empresas disseram que os atendentes não têm como assumir o controle do veículo. A exceção é a Tesla, que permite intervenção direta caso o carro esteja a até 3,2 km/h (2 mph); o operador remoto, porém, não pode ultrapassar 16 km/h (10 mph). Segundo a montadora, a medida serve para remover rapidamente veículos em posição de risco sem aguardar socorro presencial.

Empresas de robotáxis se recusam a revelar frequência de ajuda remota a veículos autônomos, aponta relatório do Senado dos EUA - Imagem do artigo original

Imagem: Getty

Origem da investigação

O inquérito foi motivado por audiência da Comissão de Comércio do Senado em fevereiro, quando o diretor de segurança da Waymo, Mauricio Peña, admitiu que os robotáxis às vezes precisam de orientação externa em situações imprevistas e revelou que cerca de 50% dos atendentes atuam nas Filipinas.

Com a expansão comercial de robotáxis e, no caso da Aurora, de caminhões autônomos, cresceu o escrutínio sobre como essas operações funcionam na prática. O relatório de Markey também reuniu dados sobre latência na comunicação — a May Mobility registrou o pior cenário, com 500 milissegundos —, medidas para evitar fadiga dos operadores e protocolos de proteção de dados.

Procurada pela TechCrunch, a Waymo não comentou; as demais empresas não responderam até o fechamento desta edição.

Com informações de TechCrunch

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