A BYD divulgou nesta quinta-feira (5) a Blade Battery 2.0, pacote que, segundo a montadora chinesa, eleva a carga de 10% para 70% em apenas cinco minutos e atinge quase 100% após mais quatro minutos. O primeiro veículo a receber a novidade será o sedã de luxo Yangwang U7, previsto para chegar ao mercado ainda este ano.
O desempenho, porém, só é alcançado quando o carro está conectado aos novos carregadores Flash Charging, desenvolvidos pela própria BYD, capazes de fornecer até 1,5 MW de potência. Fora desse padrão, os tempos de recarga permanecem nos níveis atuais do mercado.
Estratégia em meio à disputa por preço
Com a nova tecnologia, a BYD busca recuperar fôlego após registrar queda de aproximadamente 36% nas vendas combinadas de janeiro e fevereiro de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. A empresa, hoje a maior fabricante global de veículos elétricos, encara concorrência crescente de marcas chinesas como Li Auto, Xpeng, Xiaomi e Zeekr, além da Tesla.
Rede de alta potência em expansão
A fabricante afirma já contar com 4.200 estações Flash Charging na China e planeja instalar cerca de 16 mil pontos adicionais até o fim do ano. Cada posto utiliza cabos suspensos em torres para facilitar o manuseio, pois o conjunto precisa suportar a elevada corrente elétrica. A companhia pretende ainda adicionar baterias estacionárias aos locais para minimizar o impacto na rede elétrica.
Química de menor custo
A Blade Battery 2.0 adota células de lítio-ferro-fosfato (LFP), opção mais barata por dispensar metais caros, como cobalto e níquel. Segundo a BloombergNEF, pacotes LFP custam cerca de US$ 81 por kWh, contra US$ 128 de baterias de níquel-manganês-cobalto (NMC). Em contrapartida, a densidade energética é menor, o que limita a autonomia. A BYD aposta que a recarga ultrarrápida tornará a tecnologia atraente também em modelos de maior valor.
Autonomia e comparativos
Com a nova bateria, o Yangwang U7 promete rodar pouco mais de 1.000 km no ciclo chinês CLTC — número que tende a ser 35% maior que o medido pelo padrão EPA norte-americano, o que coloca a autonomia real na casa dos 400 milhas (cerca de 644 km). Apesar de ficar abaixo dos 512 milhas do Lucid Air Grand Touring (bateria de 117 kWh, ciclo EPA), a possibilidade de adicionar 240 milhas em cinco minutos pode reduzir o peso dessa diferença para os consumidores.

Imagem: Getty
Antecedentes e investimentos
Antes do sistema Flash Charging, a BYD havia lançado um carregador de 1 MW para o sedã Han L, que exigia a conexão simultânea de dois cabos de 500 kW. Nos Estados Unidos e na Europa, a maioria dos pontos públicos mais potentes hoje atinge 350 kW, embora equipamentos de 500 kW comecem a ganhar espaço.
A companhia, fundada em Shenzhen, foi uma das favoritas da Berkshire Hathaway: o conglomerado de Warren Buffett adquiriu 10% da empresa em 2008 por US$ 230 milhões e vendeu a última participação em 2025, obtendo retorno superior a 20 vezes o investimento inicial.
Com informações de TechCrunch







