A Archer Aviation abriu, nesta segunda-feira (9), uma ação de reconvenção em um tribunal federal dos Estados Unidos contra a rival Joby Aviation. A companhia sustenta que a concorrente fraudou o governo norte-americano e o mercado ao se apresentar como fabricante “100% americana”, enquanto, segundo a petição, obtinha componentes críticos por meio de uma subsidiária de produção na China com apoio do governo chinês.
No documento, a Archer afirma que a Joby tentou ocultar “profundos vínculos” com a China ao declarar milhares de quilos de materiais aeronáuticos de origem chinesa como se fossem produtos de consumo — como presilhas de cabelo, meias e álbuns de fotos — para contornar tarifas de importação e requisitos de fiscalização sobre influência estrangeira.
Fundada em 2009 em Santa Cruz, Califórnia, a Joby mantém a sede corporativa na cidade e instalações em outras localidades dos EUA, além de operações na Alemanha, Áustria, Costa Rica e Shenzhen (China), conforme registros enviados à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC).
Procurado, o advogado da Joby, Alex Spiro, limitou-se a dizer, por e-mail, que a empresa “não responde a absurdos”. “Os constantes problemas legais e as dificuldades de negócios da Archer a levaram a recorrer a teorias sem fundamento. Nos veremos no tribunal”, declarou.
Disputa em duas frentes
A reconvenção surge quatro meses depois de a própria Joby processar a Archer, em novembro, na Suprema Corte do Condado de Santa Cruz, acusando o ex-funcionário George Kivork de levar segredos comerciais para a nova empregadora.
As duas companhias, sediadas na Califórnia, abriram capital em 2021 por meio de fusões com empresas de propósito específico (SPACs) e disputam mercados semelhantes: táxis aéreos elétricos e aplicações de defesa para a tecnologia eVTOL (veículos elétricos de decolagem e pouso vertical).

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Pilot program e ordens executivas
O texto da Archer faz referência a uma recente ordem executiva do presidente Donald Trump que encarregou o Departamento de Transporte (DOT) e a Administração Federal de Aviação (FAA) de lançar um programa-piloto para acelerar o desenvolvimento e a comercialização de aeronaves eVTOL. O programa, antes chamado de Advanced Air Mobility and Electric Vertical Takeoff and Landing Integration Pilot Program, recebeu inscrições das duas empresas.
Segundo a peça judicial, a Joby veste a “bandeira americana” e divulga suas aeronaves como “Comprometidas com a Inovação Americana”, o que lhe garantiu centenas de milhões de dólares em contratos com o governo dos EUA, inclusive com a Força Aérea, além de posicionar a empresa como protagonista na ordem executiva de 2025 intitulada “Unleashing American Drone Dominance”.
Nesta segunda-feira, DOT e FAA aprovaram oito propostas para o programa-piloto, abrangendo 26 estados. A Archer foi selecionada em três projetos, enquanto a Joby participará de cinco.
Com informações de TechCrunch







