Império multifacetado de Elon Musk reacende discussão sobre conglomerados pessoais

Setores como aeroespacial, energia, saúde, mobilidade e mídia costumavam ser associados à General Electric. Três décadas depois, quem concentra essas áreas é Elon Musk, à frente de empresas como Tesla, SpaceX, xAI, Neuralink, The Boring Company, além das operações de telecomunicações da Starlink e da rede social X.

Recentes rumores apontam que Musk estuda combinar parte dessas companhias — especialmente SpaceX, xAI e Tesla — criando um conglomerado formal. O empresário já integrou alguns serviços: veículos Tesla utilizam o chatbot Grok, da xAI; baterias Megapack foram instaladas em data centers da divisão de inteligência artificial; e Tesla e SpaceX fizeram aportes separados na xAI.

Comparações históricas

Observadores traçam paralelos entre Musk e figuras como Henry Ford, John D. Rockefeller e Jack Welch. Welch transformou a GE em um grupo diversificado nos anos 1980 e 1990, enquanto Rockefeller acumulou poder no período conhecido como Era Dourada dos Estados Unidos.

O patrimônio líquido de Musk se aproxima de US$ 800 bilhões, valor superior à capitalização de mercado de 97% das empresas do S&P 500 e próximo ao pico histórico da GE (ajustado pela inflação). Assim como Welch, cujo estilo influenciou executivos de sua época, Musk atrai seguidores que defendem jornadas de trabalho intensas e princípios de engenharia de primeiro princípio.

Lições da General Electric

Quando assumiu a GE em 1981, Jack Welch demitiu mais de 100 mil funcionários para enxugar custos e, em seguida, comprou dezenas de empresas — algumas fora do core industrial, como a emissora NBC, adquirida em 1986. O faturamento subiu de US$ 14 bilhões para mais de US$ 400 bilhões até 2001, mas o modelo mostrou fragilidades. Em 2008, a divisão financeira GE Capital precisou de um resgate federal de US$ 139 bilhões, exposição que culminou na decisão, há cinco anos, de dividir a GE em três companhias independentes.

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Imagem: Internet

Desafios de concentração

Especialistas recordam que conglomerados foram criados para diluir riscos com negócios anticíclicos, mas estudos posteriores indicaram que investidores costumam obter melhores retornos em empresas focadas. No mercado, esse fenômeno é chamado de “desconto do conglomerado”, pois a soma das partes tende a valer mais que a estrutura unificada.

Outra barreira é regulatória. No fim do século XIX, a ausência de regras permitiu que magnatas como Rockefeller expandissem influência. Hoje, ainda que o ambiente seja mais regulado, há movimentos de flexibilização. O futuro das companhias de Musk depende tanto de eventuais fusões quanto da reação de autoridades e da opinião pública. O empresário destinou mais de US$ 300 milhões a campanhas políticas nos Estados Unidos e em outros países e investiu pelo menos US$ 10 milhões em pesquisas de fertilidade, temas observados de perto por reguladores.

Com informações de TechCrunch

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