02 de fevereiro de 2026
Ao redesenhar a estrutura física do ouro em escala nanométrica, pesquisadores demonstraram que é possível alterar de forma significativa o comportamento eletrônico e óptico do metal. O trabalho, publicado na revista Nature Communications, foi conduzido por uma equipe do Departamento de Física da Universidade de Umeå, na Suécia.
O grupo utilizou ouro nanoporoso — um metamaterial com aparência de esponja — e verificou que um filme ultrafino desse material interage com a luz de maneira inédita quando comparado ao ouro maciço. “Essa estrutura porosa absorve mais energia luminosa em um espectro mais amplo”, explicou Tlek Tapani, doutorando que assina o estudo.
Nos experimentos, o “ouro-esponja” foi submetido a pulsos de laser ultracurtos. Nessas condições, a temperatura eletrônica estimada atingiu cerca de 3.200 K (≈ 2.900 °C), enquanto o filme de ouro sólido usado como referência chegou a apenas 800 K (≈ 500 °C). Além disso, os elétrons permaneceram excitados por mais tempo antes de retornar ao estado inicial.
De acordo com Nicolò Maccaferri, líder da Unidade de Nanociência Ultrafast e autor sênior do artigo, a forma física do material — e não uma mudança na estrutura eletrônica do ouro — responde por esse comportamento. A constatação foi feita com o apoio de microscopia eletrônica avançada e espectroscopia de fotoelétrons por raios X (XPS).

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Os pesquisadores observaram ainda que o fator de preenchimento, razão entre ouro e ar na matriz porosa, pode ser ajustado para controlar o desempenho eletrônico não só do ouro, mas também de outros metais. A possibilidade abre caminho para otimizar reações químicas, como as empregadas na produção de hidrogênio ou na captura de carbono, e impactar áreas que vão de catálise e colheita de energia a medicina e baterias quânticas.
Com informações de Nanowerk






