Deezer libera ferramenta que identifica músicas geradas por IA para outras plataformas de streaming

A Deezer anunciou nesta quinta-feira (29) que sua ferramenta de detecção de músicas totalmente geradas por inteligência artificial passará a ser oferecida a serviços de streaming concorrentes. O recurso, lançado originalmente pela empresa no ano passado, rotula faixas criadas por IA, retira essas canções de recomendações editoriais e algorítmicas, além de desmonetizá-las.

Segundo a plataforma, 85% das reproduções de faixas 100% geradas por IA são consideradas fraudulentas. Atualmente, o serviço recebe cerca de 60 mil faixas criadas por IA por dia, somando 13,4 milhões de músicas já identificadas. Para efeito de comparação, em junho do ano passado as criações por IA representavam 18% dos envios diários, ultrapassando 20 mil faixas.

De acordo com a Deezer, o sistema consegue reconhecer músicas produzidas por modelos generativos populares, como Suno e Udio, com precisão de 99,8%. Além de excluir essas faixas de recomendações, a ferramenta as remove do pool de royalties, com o objetivo de direcionar a remuneração a compositores e músicos humanos.

O diretor-executivo da Deezer, Alexis Lanternier, afirmou que já existe “grande interesse” de outras companhias e que várias delas concluíram testes bem-sucedidos. Entre os primeiros parceiros está a Sacem, sociedade francesa que representa mais de 300 mil criadores e editoras, incluindo artistas como David Guetta e DJ Snake.

A empresa não divulgou valores nem informou quais outras plataformas pretendem adotar o sistema; um porta-voz limitou-se a dizer que o custo varia conforme o tipo de acordo.

Fraudes e ações do mercado

A expansão da ferramenta ocorre em meio a crescentes preocupações sobre o uso de obras protegidas na formação de modelos de IA e sobre fraudes em serviços de streaming. Em 2024, um músico da Carolina do Norte foi acusado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos de criar músicas via IA, usar bots para somá-las a bilhões de reproduções e desviar mais de US$ 10 milhões em royalties.

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Imagem: Internet

Outras empresas do setor já se movimentam: o Bandcamp baniu integralmente músicas geradas por IA, enquanto o Spotify atualizou suas regras para limitar envios desse tipo e proibir clones de voz não autorizados. Em sentido oposto, gravadoras como Universal Music Group e Warner Music Group firmaram acordos com Suno e Udio para licenciar catálogos e garantir pagamento a artistas cujas obras forem usadas no treinamento de modelos.

Em 2024, a Deezer tornou-se a primeira plataforma de streaming a assinar a declaração global sobre treinamento de IA, ao lado de atores e outros profissionais criativos.

Com a disponibilização da tecnologia de detecção, a empresa espera ajudar o setor a conter fraudes e aumentar a transparência sobre a origem das músicas oferecidas aos usuários.

Com informações de TechCrunch

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