Um estudo divulgado em 26 de janeiro de 2026 na revista Water Research revela que partículas de nanoplástico podem tornar biofilmes bacterianos mais resistentes a processos de desinfecção em sistemas de água potável.
A pesquisa foi conduzida pela professora Jingqiu Liao, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Virginia Tech, em parceria com cientistas de vários países. O trabalho, intitulado “Nanoplastics induce prophage activation and quorum sensing to enhance biofilm mechanical and chemical resilience”, avaliou como essas partículas — que variam de 1 a 1.000 nanômetros — interagem com microrganismos presentes na água.
Como os nanoplásticos afetam o biofilme
O experimento analisou biofilmes formados por Escherichia coli e Pseudomonas aeruginosa. Segundo os autores, a exposição aos nanoplásticos provocou três efeitos principais:
- bactérias intensificaram a comunicação entre si e liberaram substâncias que deixaram o biofilme mais espesso e protetor;
- profagos — vírus que integram seu DNA ao genoma bacteriano — foram ativados, lisando células e produzindo novas partículas virais;
- as bactérias acionaram mecanismos de defesa baseados em CRISPR para combater esses profagos.
O resultado foi um biofilme com maior resistência mecânica e química, dificultando a ação de desinfetantes usados em estações de tratamento e redes de distribuição.

Imagem: Internet
Riscos para a saúde pública
De acordo com Liao, a maior robustez desses biofilmes pode favorecer a sobrevivência de patógenos resistentes a antimicrobianos, criando novos desafios para a segurança da água. A pesquisadora afirma que mais investigações são necessárias para compreender os mecanismos moleculares dessas interações e destaca que partículas maiores, como microplásticos, podem produzir efeitos distintos.
Com informações de Nanowerk




