21 de janeiro de 2026 – Uma equipe formada por pesquisadores do CSIR-Central Salt and Marine Chemicals Research Institute (CSMCRI), do Indian Institute of Technology Gandhinagar (IITGN), da Nanyang Technological University, de Cingapura, e do S N Bose National Centre for Basic Sciences desenvolveu uma nova categoria de membranas cristalinas de alta precisão, capaz de separar moléculas com diferença de apenas 100 a 200 Daltons.
Apelidada de POMbrane, a estrutura tem poros fixos de aproximadamente 1 nanômetro — milhares de vezes mais finos que um fio de cabelo — e foi descrita na revista Journal of the American Chemical Society. O projeto visa diminuir o consumo de energia em processos industriais de separação, que hoje respondem por 40% a 50% do gasto energético global do setor.
Como funciona a nova membrana
A tecnologia usa clusters de polyoxometalates (POMs), minúsculas “coroas” metálicas com um orifício central permanente de 1 nm. Cadeias químicas flexíveis foram acopladas ao redor dessas coroas, permitindo que bilhões de unidades se auto-organizem sobre a superfície da água em um filme ultrafino e contínuo. O resultado é um “coador molecular” que força qualquer substância a atravessar somente os poros naturais dos POMs, garantindo seletividade uniforme e durabilidade superior às de membranas poliméricas convencionais.
Vantagens apontadas pelos pesquisadores
Segundo Dr. Shilpi Kushwaha, cientista sênior do CSMCRI, a precisão dos poros imita gatekeepers biológicos como aquaporinas, obtendo separações até dez vezes mais eficientes que as tecnologias atuais. Os testes demonstraram estabilidade em diferentes faixas de pH, flexibilidade mecânica e possibilidade de fabricação em folhas de grande área — atributos considerados essenciais para adoção industrial.
Impacto esperado nos setores têxtil e farmacêutico
A indústria têxtil indiana, responsável por aproximadamente 2,3% do PIB nacional e por 13% da produção industrial, enfrenta o desafio do tratamento de grandes volumes de efluentes coloridos. Com a nova membrana, a remoção seletiva de corantes pode permitir o reuso da água e reduzir o descarte químico.

Imagem: Internet
No segmento farmacêutico, processos como purificação de fármacos e recuperação de solventes exigem alto grau de pureza e consomem muita energia. As POMbranes prometem diminuir custos operacionais ao realizar essas separações sob condições mais brandas, mantendo os padrões de qualidade exigidos.
Os autores do estudo afirmam que a estrutura ajustável, a seletividade elevada e a resistência química tornam a tecnologia uma plataforma versátil para desafios que vão do reuso de água ao processamento químico avançado.
Com informações de Nanowerk







