A Meta iniciou uma ampla reestruturação em sua divisão de realidade virtual. Na semana passada, cerca de 1.500 funcionários — aproximadamente 10% do quadro da Reality Labs — foram demitidos e diversos estúdios de desenvolvimento de jogos em VR encerraram as atividades.
Cortes atingem estúdios de jogos e aplicativos
Segundo o Wall Street Journal, deixaram de operar os estúdios internos Armature Studio (responsável por “Resident Evil 4 VR”), Twisted Pixel (“Marvel’s Deadpool VR”) e Sanzaru Games (“Asgard’s Wrath”). O aplicativo de fitness em realidade virtual Supernatural, comprado pela Meta em 2023 por US$ 400 milhões, entrou em modo de manutenção e não produzirá novos conteúdos. A Camouflaj, que desenvolvia “Batman: Arkham Shadow VR”, também sofreu cortes, de acordo com o GeekWire.
Além dos estúdios de entretenimento, a empresa decidiu encerrar o Workrooms, programa que promovia o uso de VR no ambiente corporativo, conforme noticiado pelo The Verge.
Investimento bilionário sem retorno
A Reality Labs já consumiu cerca de US$ 73 bilhões desde a criação, sem apresentar lucro. Em dezembro, a Bloomberg informou que o orçamento da área seria reduzido em até 30%. Na mesma época, a companhia suspendeu o plano de licenciar o sistema operacional Meta Horizon para fabricantes terceirizadas de headsets.
Demanda em queda
Mesmo com 77% de participação nas remessas globais de headsets em 2024, a Meta enfrenta queda de mercado. Dados da Counterpoint Research indicam redução de 12% nas entregas mundiais de dispositivos VR em 2024, terceiro ano consecutivo de recuo.
No ecossistema de aplicativos, o Meta Horizon registrou 60,4 milhões de downloads globais desde maio de 2018, sendo 39,8 milhões nos Estados Unidos, segundo estimativas da Apptopia. O uso médio no país subiu de 3,49 sessões diárias por usuário em janeiro de 2023 para 4,93 em janeiro de 2026, números considerados insuficientes para uma base que supera 3,5 bilhões de usuários diários nos demais apps da companhia.
Modelo de receitas contestado
A Meta anunciou que reteria até 47,5% das vendas de itens digitais dentro do Horizon Worlds — 30% relativos à plataforma de hardware e 17,5% adicionais ao ambiente virtual. A taxa superior às cobradas por Apple e Google gerou críticas de desenvolvedores.

Imagem: Internet
Problemas de segurança
Casos de assédio e queixas sobre interações abusivas levaram a empresa a criar a função Personal Boundary, que estabelece distância mínima entre avatares. A medida passou a ser aplicada apenas em contatos com usuários que não são amigos, podendo ser desativada.
Foco migra para IA e óculos inteligentes
Com a retração no metaverso, a Meta concentra esforços em inteligência artificial e em produtos como os óculos inteligentes Ray-Ban. O modelo lançado em 2024, que permite gravação sem uso das mãos, reprodução de música e integração com o Meta AI, superou as vendas de óculos tradicionais da marca em algumas lojas, levando a empresa a considerar dobrar a produção. Já a versão Ray-Ban Display, anunciada no ano passado com visor para notificações, teve expansão internacional adiada devido à forte demanda inicial.
Ao redirecionar recursos para IA, modelos de linguagem e wearables, a Meta sinaliza o fim do investimento prioritário no metaverso iniciado em 2021, quando mudou o nome de Facebook para Meta e apresentou a realidade virtual como “próximo grande passo” para socialização on-line.
Com informações de TechCrunch







