Bangalore (Índia) – A Jar, fintech indiana que permite investimentos em ouro digital, tornou-se lucrativa após atrair milhões de poupadores de primeira viagem para sua plataforma.
Fundada há quatro anos, a empresa registra mais de 35 milhões de usuários em 12 mil CEPs do país, segundo o cofundador e presidente-executivo, Nishchay AG. Cerca de 60% desse público vive em cidades de médio e pequeno porte (tier 2 e tier 3) e mais de 95% está realizando poupança formal pela primeira vez.
Receita multiplica em 2024
No exercício fiscal encerrado em março de 2024, a receita operacional da Jar – oriunda principalmente do aplicativo de compra de ouro – saltou nove vezes, alcançando ₹ 2,08 bilhões (aproximadamente US$ 23,6 milhões). Considerando todas as frentes de negócio, o faturamento total chegou a ₹ 24,50 bilhões (US$ 279,3 milhões), 49 vezes superior aos ₹ 500 milhões registrados no ano fiscal anterior.
Esse número engloba transações de ouro digital, venda de joias pela plataforma Nek e taxas de parcerias de distribuição. Lançada no início de 2023, a Nek comercializa joias de ouro, prata, diamantes naturais e de laboratório em mais de 8 mil CEPs e superou ₹ 1 bilhão (cerca de US$ 11 milhões) em receita anual no ano passado.
Lucro e planos de abertura de capital
A Jar está no azul após impostos há dois trimestres consecutivos e, de acordo com duas fontes ouvidas pela reportagem, planeja abrir capital em 2026. Bancos de investimento já iniciaram conversas para estruturar a oferta pública inicial (IPO).
Integração vertical e novos serviços
Até 2023, a fintech atuava apenas como distribuidora de ouro digital de terceiros. Desde então, integrou a operação: compra, armazena e gerencia o metal diretamente, com auditoria da BDO e custódia da Brinks. Esse controle permitiu ampliar margens e distribuir seu ouro em plataformas parceiras, como a PhonePe, da Walmart.
Em 2024, a Jar firmou acordos com BharatPe e Unity Small Finance Bank para habilitar pagamentos digitais via UPI dentro do aplicativo, acrescentando uma nova fonte de receita e reforçando o engajamento do usuário. A empresa também adotou cedo o UPI AutoPay, recurso de débito recorrente que sustenta o recurso “economia diária” – principal uso do app.

Imagem: Internet
Base diversa e linguagem inclusiva
O público da Jar vai de profissionais qualificados a trabalhadores autônomos, incluindo eletricistas, encanadores e pedreiros. O aplicativo está disponível em nove idiomas indianos, utiliza gamificação e estímulos personalizados para incentivar a poupança.
Investidores e financiamento
A startup já captou US$ 63,3 milhões com fundos como Tiger Global, Tribe Capital, Arkam Ventures e WEH Ventures, sendo avaliada por último em mais de US$ 300 milhões.
Com a combinação de expansão de receita, lucratividade recente e planos de IPO, a Jar reforça a aposta no ouro digital como porta de entrada para a inclusão financeira de baixa renda na Índia.
Com informações de TechCrunch







