São Francisco, 9 de outubro de 2025 — A Reflection, startup de inteligência artificial criada há pouco mais de um ano, anunciou a captação de US$ 2 bilhões em nova rodada de investimentos, que eleva seu valor de mercado para US$ 8 bilhões. O montante representa um salto de 15 vezes em relação aos US$ 545 milhões registrados há sete meses.
Fundada em março de 2024 por Misha Laskin, ex-líder de modelagem de recompensas do projeto Gemini (DeepMind), e Ioannis Antonoglou, co-criador do AlphaGo, a empresa começou focada em agentes autônomos de programação. Agora, reposiciona-se como alternativa de código aberto aos laboratórios fechados de IA generativa — como OpenAI e Anthropic — e como resposta ocidental a companhias chinesas, entre elas a DeepSeek.
Equipe e infraestrutura
Com cerca de 60 pesquisadores e engenheiros oriundos principalmente de DeepMind e OpenAI, a Reflection afirma ter montado uma pilha completa de treinamento de larga escala. Segundo Laskin, a companhia já garantiu clusters próprios de computação e planeja divulgar, no próximo ano, um modelo de linguagem treinado em “dezenas de trilhões” de tokens.
O sistema adotará arquitetura Mixture-of-Experts (MoE) — abordagem que viabiliza LLMs de fronteira e antes era restrita a grandes laboratórios. A empresa diz ter validado a tecnologia em aplicações de codificação autônoma e pretende expandi-la para raciocínio agente geral.
Estratégia de abertura
No modelo proposto, os pesos dos modelos serão liberados ao público, enquanto conjuntos de dados e pipelines de treinamento permanecem proprietários. Pesquisadores poderão usar as redes gratuitamente; já a receita virá de grandes empresas que desenvolvem produtos sobre as soluções da Reflection e de governos que buscam sistemas soberanos de IA.
“Quando você é uma organização de grande porte, quer algo que possa rodar na própria infraestrutura, controlar custos e personalizar”, afirmou Laskin. Para ele, deixar que apenas modelos chineses avancem colocaria EUA e aliados em desvantagem, pois muitas empresas e Estados evitam tecnologias da China por temores legais.

Imagem: Getty
Investidores e próximos passos
Participaram da rodada Nvidia, Disruptive, DST, 1789, B Capital, Lightspeed, GIC, Eric Yuan, Eric Schmidt, Citi, Sequoia, CRV e outros fundos. O capital será usado, principalmente, para ampliar capacidade computacional e finalizar o primeiro modelo — inicialmente textual, com recursos multimodais planejados para fases posteriores.
A iniciativa recebeu apoio público de nomes do setor. David Sacks, responsável por políticas de IA e criptografia na Casa Branca, afirmou que modelos abertos oferecem “custo, personalização e controle” desejados pelo mercado. Já Clem Delangue, cofundador da Hugging Face, destacou que o desafio agora é manter “alta velocidade de compartilhamento” de modelos e conjuntos de dados.
Com a rodada bilionária, a Reflection entra no grupo de empresas americanas que pretendem competir globalmente em modelos fundamentais de IA, buscando conciliar abertura com sustentabilidade comercial.
Com informações de TechCrunch







