WASHINGTON — Mesmo diante de uma mudança repentina na política para a Ucrânia e da ameaça de paralisação do governo na próxima semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não abrirá mão de comparecer à abertura da Ryder Cup em Long Island, Nova York, em 26 de setembro.
O torneio bienal que reúne os principais golfistas dos Estados Unidos e da Europa será o mais recente de uma sequência de grandes eventos esportivos acompanhados por Trump em seu segundo mandato — um ritmo sem precedentes na história presidencial norte-americana.
Maratona de eventos desde o início do mandato
Duas semanas após reassumir a Casa Branca, Trump tornou-se o primeiro presidente em exercício a assistir a um Super Bowl. Na semana seguinte, deu uma volta completa no circuito de Daytona a bordo da limusine presidencial antes da largada das 500 Milhas.
Nos oito primeiros meses do segundo mandato, o republicano de 79 anos já esteve em:
- Campeonato universitário de luta olímpica da NCAA, na Filadélfia;
- Torneio da LIV Golf em seu clube Doral, em Miami;
- Partida da FIFA Club World Cup em Nova Jersey;
- Diversos eventos do UFC;
- Final masculina do US Open de tênis, em Nova York;
- Jogo entre New York Yankees e Detroit Tigers, no Yankee Stadium, na data que marcou os 24 anos dos atentados de 11 de setembro.
Fã de longa data e estratégia política
Ex-capitão do time de beisebol na escola e antigo proprietário de uma equipe de futebol americano, Trump cultiva a imagem de torcedor apaixonado. Para Clay Travis, fundador do site Outkick e aliado do presidente, ele “fala a língua dos esportes” com naturalidade. O historiador Adam Burns, autor de “Sports and the American Presidency”, avalia que essas aparições ajudam o presidente a projetar vigor e proximidade com o público.
O ex-porta-voz da Casa Branca Sean Spicer acrescenta que, agora, Trump se sente “à vontade para aproveitar os símbolos do cargo” após ter ficado mais contido no primeiro mandato.
Projetos esportivos em pauta
Na Casa Branca, o presidente tem usado a caneta para influenciar o setor. Entre as ações recentes estão:
- Ordem executiva de julho para criar um padrão nacional sobre uso de nome, imagem e semelhança (NIL) de atletas universitários;
- Pressão para que Pete Rose e Roger Clemens entrem no Hall da Fama do Beisebol — o primeiro foi reintegrado à MLB em maio;
- Cobrança para que o Washington Commanders volte ao nome Redskins, tema que arrefeceu após o Conselho da Cidade de Washington aprovar o novo estádio.
O presidente também fechou acordo com o comissário da NFL, Roger Goodell, para que o Draft de 2027 aconteça no National Mall, em Washington. Já com a NBA a relação segue tensa; Trump define a liga como “organização política” pelas posições em defesa de causas sociais.

Imagem: Internet
Agenda futura recheada
No horizonte, Trump planeja receber uma luta do UFC no gramado sul da Casa Branca e acompanhar partidas da Copa do Mundo de 2026 — que terá 11 cidades norte-americanas como sedes. Dois anos depois, o mandatário promete presença nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.
Interações com atletas
Dono de vários campos de golfe, Trump costuma convidar esportistas para encontros privados. Neste ano, levou o running back Saquon Barkley de helicóptero, jogou golfe com Bryson DeChambeau — que bateu algumas bolas no jardim presidencial — e recebeu os irmãos técnicos Jim e John Harbaugh no Salão Oval.
O golfista número 1 do mundo, Scottie Scheffler, relatou que recebe telefonemas ou mensagens de Trump após cada vitória. “Ele ama golfe”, disse o atleta, integrante da equipe norte-americana na Ryder Cup.
Ryder Cup garantida, segundo a Casa Branca
De acordo com a secretária de imprensa Karoline Leavitt, o torneio só acontecerá porque uma ordem executiva de Trump evitou uma greve ferroviária em Long Island ao instituir um conselho de emergência para mediar o impasse entre a Long Island Rail Road e sindicatos.
Com a Ryder Cup, Trump acrescenta mais um capítulo à sua incomum rotina esportiva, que serve tanto de vitrine política quanto de satisfação pessoal para o autodeclarado “torcedor número 1 da América”.
Com informações de USA TODAY







