Munique (Alemanha) – A BMW iniciou oficialmente a era Neue Klasse, plataforma que sustentará a próxima geração de elétricos e híbridos da marca. Em encontro com jornalistas, Joachim Post, membro do Conselho de Desenvolvimento e Pesquisa, detalhou as metas da companhia para os próximos anos.
Escala da transformação
Segundo Post, a Neue Klasse não se limita a um modelo específico. O primeiro será o iX3, seguido, nos Estados Unidos, por uma versão do X5 produzida em Spartanburg a partir do ano que vem. “Em dois anos, vamos aplicar essa arquitetura a cerca de 40 modelos e atualizações”, afirmou.
Arquitetura digital de alto desempenho
A nova plataforma, chamada NCAR, traz quatro computadores centrais capazes de oferecer 20 vezes mais poder de processamento que a geração anterior. A separação entre hardware e software dará, segundo o executivo, liberdade para incorporar funções de inteligência artificial e facilitar atualizações remotas.
Produção segue o mercado
Para driblar incertezas como tarifas comerciais, a montadora mantém plantas na Europa, na China e nos Estados Unidos. O complexo de Spartanburg, maior instalação global da BMW, receberá uma unidade de montagem de baterias e ampliará a fabricação de modelos eletrificados. “Produção local para mercado local” é a diretriz, disse Post.
Desenvolvimento mais ágil
A plataforma começou a ser desenvolvida em 2021. Mesmo assim, o executivo classificou o ritmo como rápido: “Quarenta derivados em dois anos é velocidade real”. A estrutura modular permite adaptar a tecnologia a sedãs compactos, utilitários-esportivos e outros segmentos sem recomeçar cada projeto do zero.
Prazer ao dirigir na era digital
Post afirmou que eletrificação e software não comprometem o lema “Sheer Driving Pleasure”. O sistema de frenagem regenerativa recupera até 95 % da energia e leva o veículo à imobilidade sem solavancos perceptíveis. Já o controle de chassi combina o torque instantâneo dos motores elétricos com algoritmos que mantêm o carro estável em situações de limite.
Nova interface e identidade sonora
O Panoramic iDrive projeta informações ao longo de todo o para-brisa, dispensando a consulta a telas centrais. No campo acústico, a BMW evolui além da parceria com o compositor Hans Zimmer e desenvolve “tonalidades humanas e sinfônicas”, criadas até com gravações de um coral de designers. O condutor poderá escolher entre os novos sons ou o silêncio absoluto.

Imagem: Internet
Design global, ajustes locais
De acordo com Post, o desenho dos carros permanece universal, mas há adaptações regionais: entre-eixos alongado e bancos traseiros mais espaçosos na China; pacotes esportivos e acabamentos diferenciados nos EUA.
Adoção de elétricos e flexibilidade
Enquanto a Europa acelera na eletrificação, os Estados Unidos evoluem de forma desigual. Para superar barreiras, os modelos Neue Klasse prometem até 400 milhas de autonomia (cerca de 644 km, estimativa EPA) e recarga de 400 kW, capaz de adicionar 175 milhas em dez minutos. A BMW mantém motores a combustão onde houver demanda e defende que “o cliente deve decidir, não os governos”.
Post resumiu a estratégia com a palavra alemã Gesamtkunstwerk — “obra de arte total” —, indicando que design, software, dinâmica e som convergem para estabelecer o próximo padrão da marca.
Com informações de BMWBLOG






