26 de dezembro de 2025 – Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Geórgia e da Faculdade de Medicina da Emory, nos Estados Unidos, desenvolveram um nanosensor capaz de indicar, em apenas dois dias, se a terapia celular adotiva contra o câncer está surtindo efeito, antecipando em até 48 horas os sinais captados por métodos convencionais de medição de volume tumoral.
O dispositivo utiliza esferas de ouro de 15 nm recobertas por peptídeos que são reconhecidos e clivados especificamente pela enzima granzyme B, liberada por linfócitos T citotóxicos durante o ataque às células tumorais. Quando o peptídeo é cortado, as nanopartículas se agregam, alterando a absorção óptica do visível (≈520 nm) para o infravermelho próximo (≈700 nm). Esse deslocamento gera um sinal fotoacústico forte e detectável por ultrassom, já que o tecido biológico é mais transparente nessa faixa espectral.
Os cientistas otimizaram a densidade de peptídeos para cerca de 0,43 molécula por nm², condição que facilitou o acesso da enzima e promoveu maior agregação. O sistema detectou granzyme B a partir de 1,56 nM por via óptica e de 3,13 nM por imagem fotoacústica. Testes com outras proteases abundantes no microambiente tumoral, como MMP-7, MMP-9 e caspase-3, geraram sinais sete vezes menores, demonstrando alta especificidade.
Em culturas celulares, os nanosensores responderam apenas quando linfócitos T ativados liberaram a enzima ao reconhecer células-alvo. O desempenho foi confirmado in vivo em camundongos portadores de tumores subcutâneos: após infusão de células T modificadas e injeção intravenosa dos nanosensores, tumores que expressavam o antígeno alvo exibiram aumento significativo do sinal fotoacústico no segundo dia pós-tratamento, enquanto as massas sem o antígeno permaneceram inalteradas.
O método previu o sucesso terapêutico com precisão. A área sob a curva ROC alcançou 0,93, e a intensidade do sinal no segundo dia correlacionou-se com posterior regressão tumoral (coeficiente de 0,79). Já a diferença de volume tumoral só pôde ser observada a partir do quarto dia pelos sistemas de medição tradicionais.

Imagem: tumor
Ensaios toxicológicos preliminares não indicaram efeitos adversos: os animais mantiveram peso estável por 15 dias e a sinalização concentrou-se predominantemente nas bordas tumorais, locais com maior vascularização.
Segundo os autores, o revestimento peptídico pode ser trocado para detectar outras proteases de interesse clínico, abrindo caminho para monitorar diferentes tratamentos oncológicos por meio de imagem fotoacústica, sem recorrer a biópsias repetidas ou exames radiológicos frequentes.
Com informações de Nanowerk






