Nanopartículas lipídicas entregam CRISPR a células-tronco musculares e mantêm correção genética em modelo de distrofia de Duchenne

30 de dezembro de 2025 — Pesquisadores da Universidade de Quioto apresentaram uma estratégia que usa nanopartículas lipídicas (LNPs) para transportar componentes de edição gênica CRISPR-Cas9 até células-tronco musculares, conhecidas como células satélite. O método, descrito na revista Cell Reports, conseguiu restaurar a produção de distrofina em camundongos modelo da distrofia muscular de Duchenne (DMD).

Quem, o que, onde, quando e como

O trabalho foi conduzido por cientistas da Universidade de Quioto e publicado em 30 de dezembro de 2025. Eles compararam a entrega de CRISPR-Cas9 via LNPs com o tradicional vetor viral adeno-associado (AAV), aplicando ambos os sistemas por injeção intramuscular e intravenosa em um modelo murino humanizado para DMD.

Principais resultados

• As LNPs induziram exon skipping no gene dystrophin em níveis iguais ou superiores aos obtidos no tecido muscular em geral, alcançando as células Pax7-positivas, responsáveis pela regeneração muscular.
• Sequenciamento de RNA de célula única detectou mRNA de Cas9 em vários tipos celulares; 38% das células satélite exibiram a molécula após administração de LNP.
• O pré-revestimento das nanopartículas com a apolipoproteína E3 (ApoE3) aumentou a eficiência de edição em até 14 vezes nas células-tronco isoladas, sugerindo participação da via ApoE-LDLR na captação das partículas.

Durabilidade e resposta a lesões

Ao provocar lesões musculares para simular ciclos de degeneração e regeneração, os pesquisadores observaram que a atividade de exon skipping e a restauração de distrofina permaneciam nos animais tratados com LNP-CRISPR. Em contraste, a eficácia do AAV-CRISPR diminuiu nesses cenários.

Estudos de transplante confirmaram que células-tronco editadas por LNP se engraftam, proliferam após lesão e contribuem com núcleos positivos para distrofina em novas fibras musculares.

Vantagens e desafios

Diferentemente dos vetores virais, as LNPs podem ser administradas repetidamente, já que não contêm proteínas que desencadeiam formação de anticorpos neutralizantes. O artigo aponta, porém, desafios a serem resolvidos, como elevação transitória da resposta imune inata e entrega fora do tecido-alvo.

Nanopartículas lipídicas entregam CRISPR a células-tronco musculares e mantêm correção genética em modelo de distrofia de Duchenne - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Os autores planejam aprimorar a especificidade tecidual e testar formas de ampliar a distribuição sistêmica para o músculo esquelético.

O estudo marca um avanço rumo a terapias de edição gênica mais seguras e duradouras para doenças musculares hereditárias.

Com informações de Nanowerk

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