Um artigo publicado em 12 de novembro de 2025 na revista Journal of Nanobiotechnology resume as mais recentes conquistas no uso de nanomateriais “teranósticos” — capazes de diagnosticar e tratar ao mesmo tempo — para lesões cerebrais traumáticas (TBI, na sigla em inglês). O trabalho foi conduzido pelo professor Yun Hak Kim, dos Departamentos de Anatomia e de Informática Biomédica da Escola de Medicina da Pusan National University, na Coreia do Sul.
Lesões traumáticas no cérebro continuam entre os maiores desafios de saúde pública, deixando milhões de pessoas com sequelas permanentes a cada ano. Segundo o estudo, inflamação, estresse oxidativo e danos neurais podem se prolongar muito após o impacto inicial, e os métodos tradicionais de diagnóstico e tratamento apresentam limitações como detecção insuficiente e entrega ineficaz de fármacos.
Como funcionam os nanomateriais teranósticos
As plataformas descritas conseguem atravessar as barreiras naturais do cérebro para liberar substâncias neuroprotetoras ou anti-inflamatórias exatamente no local da lesão, enquanto monitoram em tempo real a resposta do tecido. Esses materiais podem ser ajustados para reagir a sinais biológicos típicos de áreas lesionadas, entre eles alterações de acidez, estresse oxidativo ou atividade enzimática.
Tecnologias avaliadas
O levantamento destaca diferentes abordagens:
- Nanopartículas de poliestireno com PEG (PEGylated);
- Nanopartículas de silício poroso;
- Pontos de carbono (carbon dots) com atividade enzimática artificial;
- Dendrímeros;
- Lipid nanoparticles (LNPs);
- Nanopartículas baseadas em siRNA.
Entre os exemplos, os LNPs demonstraram capacidade de localizar tecido danificado e liberar moléculas neuroprotetoras com eficiência, enquanto os carbon dots atuam como nanoenzimas que neutralizam espécies reativas prejudiciais.
Sensores em tempo real
O artigo também aponta avanços em nanosensores peptídicos, direcionados à matriz extracelular, poliméricos, baseados em fibrinogênio e sensíveis a biomarcadores, todos voltados ao acompanhamento contínuo da evolução da TBI.

Imagem: Internet
Desafios e perspectivas
Para aplicação clínica, a segurança e a biocompatibilidade seguem como questões centrais. Os autores sugerem projetar nanomateriais que se degradem em resposta a variações de pH ou à atividade enzimática, reduzindo riscos de acúmulo a longo prazo.
O grupo de pesquisa acredita que unir diagnóstico e terapia em um único sistema inteligente pode acelerar a identificação das lesões, aprimorar a administração de medicamentos e permitir o monitoramento contínuo da recuperação, abrindo caminho para tratamentos personalizados e minimamente invasivos.
Com informações de Nanowerk







