A Ford e a Tesla passaram a orientar proprietários de veículos equipados com baterias de fosfato de ferro e lítio (LFP) a realizar recargas completas regularmente. No Ford Mustang Mach-E 2025, por exemplo, uma mensagem no display central solicita que o motorista leve a carga a 100% pelo menos uma vez por mês. Já a Tesla indica que esse procedimento seja feito semanalmente.
Por que carregar até 100%?
Segundo as montadoras, a recarga total ajuda o sistema de gerenciamento da bateria (BMS) a calibrar de forma precisa dados de tensão, temperatura e autonomia restante. O procedimento não é tão necessário em baterias de níquel-manganês-cobalto (NMC), que compõem a maioria dos veículos elétricos atuais, mas é recomendado para células LFP.
O que diferencia a bateria LFP
A química LFP substitui níquel, manganês e cobalto por fosfato de ferro no cátodo, reduzindo o custo de produção em cerca de 20%. Além de mais baratas, essas células oferecem menor risco de incêndio. Entre as desvantagens estão a densidade energética até 30% menor – fator que limita a autonomia – e rendimento inferior em climas muito frios.
Modelos vendidos nos EUA com LFP
Embora dominem o mercado chinês, as baterias LFP começam a ganhar espaço nos Estados Unidos. Os principais modelos confirmados são:
- Ford Mustang Mach-E nas versões Select e Premium com bateria padrão de 73 kWh (até 260 milhas de alcance);
- Chevrolet Bolt 2027;
- Futura versão do Chevrolet Silverado EV;
- Rivian R1S e R1T na configuração de motor duplo padrão;
- Tesla Model 3 e Model Y de tração traseira (faixa padrão);
- Próxima picape da Plataforma Universal EV da Ford, estimada em US$ 30 mil.
No Mach-E, o proprietário pode confirmar a presença de bateria LFP verificando o oitavo dígito do número do chassi (VIN): valores 4 ou 5 indicam essa química. No caso da Tesla, a informação aparece na tela de dicas de carregamento ou no menu “Additional Vehicle Information”.

Imagem: Internet
Debate sobre degradação
Dados da empresa de monitoramento Recurrent mostram que usuários de LFP costumam carregar seus carros a 90% ou 100% com maior frequência, sem indícios significativos de perda de capacidade até 160 000 km. Um estudo publicado no Journal of Electrochemical Society, contudo, aponta que recargas repetidas a 100% podem gerar compostos que desgastam o eletrodo negativo. Apesar disso, os autores observam que manter níveis muito baixos de carga não traz ganho prático.
Enquanto pesquisas prosseguem, especialistas recomendam seguir as instruções do manual de cada veículo. Para carros com bateria LFP, a prática de chegar periodicamente a 100% continua sendo a diretriz oficial de Ford e Tesla.
Com informações de InsideEVs Brasil







