São Paulo – O IFIX, principal índice dos fundos imobiliários negociados na B3, encerrou dezembro com alta de 3,14% e acumulou valorização superior a 21% em 2025, desempenho que não se repetia desde 2019.
A recuperação ocorreu em meio à expectativa de que o Banco Central inicie o ciclo de redução da Selic em 2026. Antecipando-se ao possível afrouxamento monetário, investidores passaram a comprar cotas ainda descontadas.
Desconto persiste
Segundo os analistas Marx Gonçalves e Eduardo Bacelar, da XP Investimentos, o índice negocia a 0,89 vez o valor patrimonial (VM/VP), patamar inferior à média histórica. Isso equivale a um desconto médio de 11% nas cotas.
Os especialistas observam que os fundos de papel apresentam abatimento menor, enquanto os fundos de tijolo e os fundos de fundos (FoFs) concentram os maiores descontos, indicando espaço para novas altas caso a curva de juros volte a ceder.
Fundamentos sólidos
A vacância em galpões logísticos permanece em níveis historicamente baixos, mesmo com a entrega de novos espaços, permitindo reajustes de aluguel acima da inflação em várias renovações contratuais. No segmento de lajes corporativas, a taxa de vacância caiu ao menor nível desde o início da pandemia, elevando a receita recorrente e reduzindo despesas com IPTU e condomínio.
Lições de ciclos passados
Gonçalves e Bacelar analisaram os três últimos períodos de queda da Selic e concluíram que os melhores retornos ocorreram quando o investidor entrou entre quatro e 12 meses antes do primeiro corte. Nesses casos, o IFIX superou o CDI nos 12 meses seguintes, proporcionando ganhos anuais entre CDI + 6,0% e CDI + 8,8%.

Imagem: Internet
Quem passou a investir apenas após o início dos cortes capturou ganhos menores, que variaram de CDI + 2,8% a 100% do CDI, porque parte relevante da valorização já havia sido precificada.
Perspectivas para 2026
Para o próximo ano, a XP projeta continuidade da desinflação e projeções de preços dentro da meta, fatores que devem abrir espaço para a queda dos juros. Nesse cenário, fundos de tijolo e FoFs, mais sensíveis ao movimento da Selic, tendem a se beneficiar, movimento que começou a aparecer em 2025.
Com informações de Valor Investe







