Contagem de seguidores perde importância com domínio dos algoritmos, apontam executivos da creator economy

A disseminação de feeds totalmente orientados por algoritmo transformou a forma como criadores de conteúdo se relacionam com o público. Para executivos do setor, 2025 marcou o momento em que o número de seguidores deixou de ser decisivo para alcançar audiência.

Seguidores não garantem entrega

“2025 foi o ano em que o algoritmo assumiu de vez e a contagem de seguidores deixou de importar”, afirmou Amber Venz Box, CEO da plataforma de afiliados LTK. O cenário, porém, não é novidade para quem produz conteúdo: mesmo perfis com grandes comunidades percebem que apenas uma fração dos inscritos recebe cada publicação.

Confiança em alta e mais verbas

Um estudo realizado pela Northwestern University indicou aumento de 21% na confiança do público em criadores em comparação a 2024. O levantamento também mostrou que 97% dos diretores de marketing pretendem ampliar investimentos em influenciadores em 2026. Segundo Box, a proliferação de conteúdos gerados por inteligência artificial levou usuários a buscar vozes humanas consideradas autênticas.

Novas estratégias de “posse” da audiência

Criadores que dependem de comissões, como os da própria LTK, apostam em comunidades pagas ou plataformas com menor influência algorítmica para preservar o relacionamento. Já produtores de vídeo curto, streaming ou podcasts recorrem a táticas de crescimento acelerado.

“Clipping” ganha força

Para Eric Wei, cofundador da Karat Financial, a principal arma emergente é o clipping: adolescentes organizados em servidores do Discord são remunerados para recortar trechos de lives ou vídeos e publicá-los em massa em redes sociais. Sem necessidade de histórico na plataforma, qualquer conta com bom material pode viralizar.

Glenn Ginsburg, presidente da QYOU Media, vê o movimento como evolução das páginas de memes, enquanto Reed Duchscher, fundador da Night e ex-empresário de MrBeast, utiliza a prática para impulsionar o streamer Kai Cenat. Duchscher, contudo, avalia que a expansão esbarra no número limitado de clippers disponíveis.

Fadiga de conteúdo e busca por nichos

O excesso de material de baixa qualidade — apelidado de “slop”, palavra eleita do ano pelo dicionário Merriam-Webster — faz usuários migrarem para comunidades menores. Segundo Box, 94% consideram que as redes deixaram de ser sociais; mais da metade desloca tempo para espaços como Strava, LinkedIn ou Substack.

Nicho em vantagem

Duchscher projeta que criadores especializados terão mais chances de crescer, enquanto nomes com alcance “macro”, a exemplo de MrBeast ou Charli D’Amelio, serão cada vez mais difíceis de replicar. A lógica algorítmica entrega conteúdo extremamente segmentado, dificultando a penetração em múltiplos interesses.

Influência além do entretenimento

Para Sean Atkins, CEO do estúdio Dhar Mann, a creator economy extrapola o entretenimento. Ele cita o canal Epic Gardening, que adquiriu a terceira maior empresa de sementes dos Estados Unidos, como exemplo de como influenciadores podem transformar setores inteiros.

Ainda que em constante mudança, o mercado de criadores demonstra resiliência e capacidade de adaptação às variações dos algoritmos, reforçando seu impacto em diferentes áreas da economia.

Com informações de TechCrunch

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