Um estudo internacional publicado em 4 de fevereiro de 2026 na revista Communications Earth & Environment mostra que uma tempestade de poeira localizada, ocorrida durante o verão do hemisfério norte de Marte, elevou a concentração de vapor d’água nas camadas médias da atmosfera em até dez vezes e fez o nível de hidrogênio na exobase crescer 2,5 vezes em comparação com anos anteriores.
A pesquisa, intitulada “Out-of-season water escape during Mars’ northern summer triggered by a strong localized dust storm”, reuniu dados de várias missões em órbita do planeta, entre elas o Trace Gas Orbiter (TGO) da ESA, com o instrumento NOMAD, o Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) da NASA e a Emirates Mars Mission (EMM).
Tempestade fora de época
A tempestade foi detectada em agosto de 2023 (ano marciano 37), sobre a região noroeste de Syrtis Major. Imagens diárias do instrumento MARCI, a bordo do MRO, mostram o evento crescendo de 21 para 22 de agosto, atingindo 1,2 milhão de quilômetros quadrados. Esse tipo de fenômeno era considerado pouco relevante para a perda de água nessa época do ano.
Consequências atmosféricas
Durante o episódio, o volume de vapor d’água na atmosfera média subiu até dez vezes acima do normal. Em seguida, sensores registraram aumento significativo de hidrogênio na exobase, camada onde a atmosfera se mistura com o espaço. O hidrogênio resulta da quebra de moléculas de água e sua fuga é um indicador direto da quantidade de água que o planeta perde.
Autores destacam impacto climático
O trabalho é liderado por Adrián Brines, do Instituto de Astrofísica de Andalucía (IAA-CSIC), e Shohei Aoki, da Universidade de Tóquio e da Universidade de Tohoku. Segundo Brines, o resultado “revela o impacto desse tipo de tempestade na evolução climática do planeta”. Aoki acrescenta que episódios curtos, porém intensos, podem ter papel relevante no desaparecimento da água marciana ao longo de bilhões de anos.

Imagem: Internet
Até então, os cientistas concentravam a atenção em grandes tempestades globais e nos verões do hemisfério sul, considerados períodos-chave para a fuga de água. O novo estudo indica que eventos regionais no hemisfério norte também contribuem para esse processo, exigindo ajustes nos modelos climáticos de Marte.
Com informações de Nanowerk







