31 de dezembro de 2025 — A nanotecnologia deixou de ser um nicho para se tornar a infraestrutura física que sustenta as principais inovações de 2025 em inteligência artificial (IA), biotecnologia e computação quântica. Relatório publicado pelo portal Nanowerk mostra como essa “engenharia de convergência” permitiu desde laboratórios autônomos de descoberta de materiais até qubits produzidos em escala industrial.
IA acelera descoberta de materiais e recebe novos chips em escala nano
No Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, o A-Lab combinou robótica e aprendizado de máquina para sintetizar 41 compostos inéditos em apenas 17 dias em 2023, operando sem intervenção humana. A plataforma usa modelos de linguagem para extrair receitas de artigos científicos e ajusta parâmetros de forma autônoma quando um experimento falha.
Projetos semelhantes surgem em todo o mundo. O MINERVA, descrito no início de 2025, automatiza síntese, purificação e caracterização de cinco classes de materiais. Já uma equipe da Universidade de Tecnologia do Sul da China acoplou um modelo do tipo GPT para planejar 735 experimentos que criaram nanobastões de ouro com propriedades ópticas sob medida.
Enquanto a IA descobre novos materiais, dispositivos como memristores e chips neuromórficos — caso do Loihi 2, da Intel — oferecem a arquitetura de baixo consumo necessária para rodar modelos cada vez maiores, fechando um ciclo de retroalimentação entre software e hardware em escala nanométrica.
Lipid nanopartículas expandem o alcance da edição genética
Depois de viabilizarem as vacinas de mRNA contra a covid-19, as lipid nanopartículas (LNPs) tornaram-se peça-chave para levar ferramentas de edição CRISPR diretamente ao interior do corpo. A terapia Casgevy, aprovada pela FDA em 2023 para anemia falciforme, ainda depende de edição ex vivo; porém, estudos buscam liberar o procedimento in vivo.
Um marco ocorreu em 2024, quando o laboratório de Jennifer Doudna, na Universidade da Califórnia em Berkeley, mostrou edição de 16% a 37% no fígado e nos pulmões de camundongos após infusão intravenosa de LNPs contendo uma versão termoestável da enzima Cas9.
Em 2025, grupos avançaram além do fígado. Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia criaram LNPs com tropismo pulmonar, enquanto cientistas da Escola de Medicina Icahn do Mount Sinai desenvolveram a plataforma MK16 BLNP, capaz de atravessar a barreira hematoencefálica e entregar mRNA a neurônios e astrócitos.

Imagem: nanoscale materials and interfaces
Fabricação de qubits migra para linhas de 300 mm
No campo quântico, a nanotecnologia atua como disciplina de construção. Em setembro de 2025, a australiana Diraq e o centro belga imec mostraram qubits de spin em silício fabricados em foundries padrão de 300 mm, atingindo fidelidade de porta superior a 99% — nível considerado suficiente para correção de erros.
A Intel seguiu trajetória semelhante com o chip Tunnel Falls, publicado em 2024, que produz arrays de 12 qubits usando litografia EUV comercial, alcançando 95% de rendimento em cada wafer.
Pesquisadores de Stanford deram passo adicional ao demonstrar emissão valiosamente seletiva em temperatura ambiente em heteroestruturas de Si-MoSe2, indicando que o resfriamento extremo pode ser superado com engenharia de materiais apropriada.
À medida que avança para 2030, a nanotecnologia tende a se tornar “invisível”, presumida em cada grande inovação tecnológica, tal como ocorre hoje com a internet ou a eletricidade.
Com informações de Nanowerk






