Um relatório divulgado nesta terça-feira (17) pela Anistia Internacional afirma que o jornalista e ativista pela liberdade de imprensa Teixeira Cândido teve seu iPhone invadido pelo Predator, programa espião desenvolvido pela Intellexa. A investigação indica que um cliente governamental da empresa, já sancionada pelos Estados Unidos, estaria por trás do ataque.
De acordo com a Anistia, entre 2024 e 2025 Cândido recebeu uma série de links maliciosos via WhatsApp. Após clicar em um deles, o aparelho foi comprometido. A análise forense identificou servidores de infecção anteriormente associados à infraestrutura do Predator, ligando a ação à Intellexa.
Horas depois da invasão, o jornalista reiniciou o telefone, o que removeu o software espião. Os pesquisadores observaram que o dispositivo executava uma versão desatualizada do iOS, mas não conseguiram determinar o método exato utilizado para a exploração. Eles também constataram que o Predator se ocultava ao fingir ser processos legítimos do sistema operacional.
Para os especialistas, Cândido pode ser apenas um dos alvos no país. Domínios relacionados ao Predator foram detectados em Angola a partir de março de 2023, sugerindo testes ou implantações naquele período. Ainda assim, o relatório ressalta que não foi possível identificar com certeza qual órgão financiou ou executou a operação.
A Intellexa vem sendo alvo de polêmica por operar em diferentes jurisdições e manter uma estrutura corporativa considerada opaca. Em 2024, o governo Biden impôs sanções à companhia, ao fundador Tal Dilian e à sócia Sara Aleksandra Fayssal Hamou. Em 2026, o Departamento do Tesouro retirou restrições a outros três executivos ligados ao grupo, decisão que motivou questionamentos de senadores democratas.

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Casos de uso abusivo do Predator já foram confirmados anteriormente em Egito, Grécia, Paquistão, Vietnã e agora em Angola. “Para cada episódio que conseguimos revelar, muitos outros permanecem ocultos”, afirmou Donncha Ó Cearbhaill, chefe do Security Lab da Anistia Internacional.
Com informações de TechCrunch







