Produção em escala industrial pode levar MOFs do laboratório ao combate cotidiano da poluição

05 de fevereiro de 2026 – Pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Kaunas (KTU), na Lituânia, demonstraram que as estruturas metalorgânicas (MOFs, na sigla em inglês) podem ser fabricadas em escala industrial de forma economicamente viável, abrindo caminho para o uso desses materiais em purificação de ar e água.

Material premiado com o Nobel segue restrito a laboratórios

As MOFs ganharam destaque mundial em 2025, quando o Prêmio Nobel de Química reconheceu os cientistas que desenvolveram a tecnologia. Apesar das propriedades excepcionais — alta porosidade e possibilidade de ajuste preciso do tamanho dos poros —, a produção ainda se concentra em pequenas quantidades de laboratório, dificultando aplicações comerciais.

“A síntese em bancada não considera aspectos cruciais para a indústria, como gestão de resíduos, regeneração de solventes e estabilidade de longo prazo”, explicou o pesquisador da KTU, Dr. Samy Yousef.

Análise econômica indica retorno rápido

No estudo, Yousef desenhou linhas de produção integradas utilizando equipamentos disponíveis no mercado. O trabalho avaliou cada etapa de fabricação, consumo de matérias-primas, produtos químicos, energia elétrica e custos de mão de obra, considerando as condições econômicas e regulatórias da Lituânia.

Os cálculos, publicados no Journal of the Indian Chemical Society, mostram que, dependendo do método escolhido, o investimento em unidades com capacidade de vários toneladas pode se pagar em curto prazo. “Acredito que, em poucos anos, veremos linhas plenamente operacionais produzindo MOFs a granel”, disse o pesquisador.

Aplicações práticas no dia a dia

Como filtros moleculares altamente seletivos, as MOFs apresentam potencial para captura de dióxido de carbono, armazenamento de gases, tratamento de efluentes, separação de compostos e catálise. Além do setor ambiental, também são cotadas para sensores ópticos, liberação controlada de fármacos e usos biomédicos.

Com a produção ampliada, o público poderá se deparar com o material “nos bastidores” de purificadores de ar, sistemas de ventilação predial e filtros de água, afirma Yousef, graças à grande área de superfície que retém poluentes com eficiência.

Com informações de Nanowerk

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