Molécula inspirada no DNA armazena luz solar e libera calor quando acionada

Cientistas da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (UCSB) apresentaram um material capaz de capturar energia do sol, estocá-la em ligações químicas e devolvê-la em forma de calor sempre que necessário. A inovação, descrita em artigo na revista Science publicado em 13 de fevereiro de 2026, foi liderada pela professora associada Grace Han.

A substância é um derivado orgânico chamado pirimidona, resultado de um conceito conhecido como Armazenamento Molecular Solar Térmico (MOST, na sigla em inglês). Segundo a equipe, o composto atinge densidade energética superior a 1,6 megajoules por quilograma, aproximadamente o dobro dos valores típicos de baterias de íon-lítio (0,9 MJ/kg).

Como funciona

Ao ser exposta à luz solar, a molécula assume uma forma tensionada, semelhante a uma mola comprimida. Esse estado permanece estável por anos até receber um gatilho — leve aquecimento ou catalisador — que devolve o material ao formato original, liberando calor.

“Costumamos descrevê-la como uma bateria solar recarregável”, explicou o doutorando Han Nguyen, autor principal do estudo. Ele comparou o processo a lentes fotocromáticas: “A diferença é que, em vez de mudar de cor, queremos armazenar energia, liberá-la e reutilizar o composto inúmeras vezes”.

Design enxuto e inspiração biológica

O grupo se inspirou em componentes de DNA capazes de alternar de estrutura sob luz ultravioleta. Em parceria com o professor Ken Houk, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), modelos computacionais ajudaram a enxugar a molécula, removendo fragmentos supérfluos para torná-la mais leve e compacta.

Calor suficiente para ferver água

Durante os testes, o calor liberado pelo material foi forte o bastante para ferver água em condições ambiente, marco considerado desafiador na área. A característica abre caminho para aplicações como aquecimento de residências, sistemas de água quente e até uso em acampamentos, dispensando baterias volumosas ou redes elétricas.

O doutorando Benjamin Baker destacou que o próprio fluido armazena a energia: “Com painéis solares, é preciso outro banco de baterias. Aqui, o material faz as duas funções”. Por ser solúvel em água, a pirimidona modificada poderia circular por coletores no telhado de dia e ficar armazenada em tanques à noite.

Os autores ressaltam que o composto é reutilizável e reciclável, mantendo estabilidade sem perda de energia por longos períodos.

Com informações de Nanowerk

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