O Super Bowl 60, realizado neste domingo (9), mostrou que a inteligência artificial deixou de ser coadjuvante para virar estrela dos anúncios de maior audiência da TV norte-americana. Ao longo do intervalo, gigantes de tecnologia, bebidas e serviços financeiros exibiram peças que foram desenvolvidas com IA ou que promovem novos produtos baseados na tecnologia.
Svedka lança spot “quase” todo gerado por IA
A vodca Svedka exibiu o que afirma ser o primeiro comercial nacional do Super Bowl criado majoritariamente por IA. Em 30 segundos, “Shake Your Bots Off” traz os personagens robóticos Fembot e Brobot dançando em uma festa de humanos. De acordo com a controladora Sazerac, foram quatro meses de trabalho para reconstruir a Fembot e treinar a IA a reproduzir expressões faciais e movimentos corporais; o enredo, porém, ficou a cargo de roteiristas humanos. A produção foi feita em parceria com a Silverside AI, mesma empresa por trás dos polêmicos anúncios gerados para a Coca-Cola.
Anthropic provoca concorrente e gera bate-boca on-line
Em vez de focar apenas nos recursos do chatbot Claude, a Anthropic apostou na provocação. O filme traz o slogan “Anúncios estão chegando à IA. Mas não ao Claude”, ironizando o plano da OpenAI de introduzir publicidade no ChatGPT. O CEO da OpenAI, Sam Altman, respondeu nas redes sociais chamando a peça de “claramente desonesta”.
Meta, Amazon e Ring miram dispositivos domésticos
A Meta apresentou os óculos inteligentes Oakley com IA, voltados para esportes e aventuras. O anúncio mostrou atletas e criadores como IShowSpeed e o cineasta Spike Lee capturando imagens em slow motion, publicando no Instagram e usando outros recursos sem tocar no aparelho.
A Amazon escolheu o ator Chris Hemsworth para uma sátira sobre o medo de ser “perseguido” pela IA. No enredo, a nova assistente Alexa+ fecha a porta da garagem ou cobre a piscina em momentos inoportunos. O comercial marca o lançamento oficial da Alexa+ para todos os usuários nos Estados Unidos, após mais de um ano em acesso antecipado.
Já a Ring destacou o recurso Search Party, que utiliza IA e a comunidade de câmeras conectadas para encontrar animais perdidos. No filme, uma garota procura o cachorro Milo e recupera o pet graças à identificação automática de imagens. A função, que agora pode ser usada mesmo por quem não possui câmeras Ring, reúne em média mais de um cão por dia aos donos, segundo a empresa.
Google, Ramp e outras marcas reforçam automatização
O Google exibiu o modelo gerador de imagens Nano Banana Pro. Mãe e filho usam a ferramenta para projetar a decoração de uma nova casa a partir de fotos de cômodos vazios e alguns comandos de texto.

Imagem: Internet
A fintech Ramp contratou Brian Baumgartner – o Kevin de “The Office” – para mostrar como sua plataforma de gestão de gastos baseada em IA “multiplica” o usuário, permitindo que ele execute várias tarefas simultaneamente. O ator reapareceu segurando uma panela de chili, referência à famosa cena da série.
Outras empresas também recorreram ao humor para falar de automação. A Rippling levou o comediante Tim Robinson para satirizar dores de cabeça no RH ao integrar um “monstro alienígena” na folha de pagamento, enquanto a Hims & Hers criticou a desigualdade no acesso à saúde e mencionou a ferramenta MedMatch, que recomenda tratamentos de forma personalizada.
Construtoras de sites entram em campo
A Wix aproveitou o intervalo para apresentar a plataforma Wix Harmony, lançada em janeiro e prometida como “criação de sites simples como um bate-papo”. A rival Squarespace também marcou presença com um filme de tom cinematográfico estrelado por Emma Stone e dirigido por Yorgos Lanthimos.
Com comerciais milionários que vão do deboche à inovação, a edição de 2026 reforçou o papel da IA tanto na concepção quanto no conteúdo das campanhas, indicando que a tecnologia deve permanecer no centro da disputa criativa nos próximos anos.
Com informações de TechCrunch







