A Helion, startup de energia de fusão sediada em Everett, Washington (EUA), informou nesta sexta-feira (13) ter alcançado 150 milhões de graus Celsius no interior do protótipo de reator Polaris. A marca representa cerca de 75% da temperatura que a companhia considera necessária para operar uma usina comercial.
Segundo o cofundador e diretor-executivo David Kirtley, o experimento utilizou combustível composto por deutério e trítio — mistura de dois isótopos de hidrogênio —, fazendo da Helion a primeira empresa de fusão a operar com esse tipo de carga. “Observamos o aumento esperado na produção de energia de fusão na forma de calor”, afirmou o executivo.
Meta de 2028
A empresa tem contrato para fornecer eletricidade à Microsoft a partir de 2028, prazo que pressiona o desenvolvimento do Orion, reator comercial de 50 MW atualmente em construção. Enquanto vários concorrentes projetam conectar suas usinas à rede no início da próxima década, a Helion mantém o cronograma mais agressivo do setor.
Como funciona o Polaris
Diferente dos tokamaks em formato de rosca usados por outras companhias, o projeto da Helion adota a configuração “campo invertido” (field-reversed configuration). O interior do reator lembra uma ampulheta: o combustível é injetado nas extremidades mais largas, onde se transforma em plasma. Ímãs potentes aceleram esses plasmas em direção ao centro; quando se fundem, atingem entre 10 e 20 milhões °C. Em seguida, uma compressão magnética eleva rapidamente a temperatura para os 150 milhões °C registrados — tudo em menos de um milissegundo.
Em vez de converter calor em vapor para girar turbinas, a Helion pretende captar diretamente o campo magnético gerado pelas reações de fusão. Cada pulso empurra os próprios ímãs do reator, induzindo corrente elétrica que pode ser coletada, processo que a empresa acredita ser mais eficiente.
Próximos passos e combustível futuro
A meta é chegar a 200 milhões °C, ponto considerado ideal para a operação de uma planta comercial com combustível de deutério e hélio-3. Como o hélio-3 é escasso na Terra, a Helion planeja produzi-lo internamente: parte das reações de deutério-deutério gerará o isótopo, que será purificado e reutilizado. Kirtley sinalizou ainda que, no futuro, pode vender hélio-3 a outras empresas.

Imagem: Internet
Nos últimos meses, a companhia aperfeiçoou circuitos do reator para aumentar a recuperação de eletricidade. Questionado sobre ter alcançado o “breakeven” científico — quando a energia gerada supera a usada para iniciar a reação —, Kirtley preferiu enfatizar o foco na geração elétrica direta, não em metas científicas tradicionais.
Investimentos no setor
O avanço da Helion ocorre em meio a um forte interesse de investidores na fusão nuclear. Nesta semana, a Inertia Enterprises garantiu US$ 450 milhões em rodada Série A, enquanto a Type One Energy busca levantar US$ 250 milhões. Em 2025, a Commonwealth Fusion Systems captou US$ 863 milhões. A própria Helion recebeu US$ 425 milhões no ano passado, com participação de Sam Altman, Mithril, Lightspeed e SoftBank.
Para Kirtley, o Polaris é apenas um passo rumo a usinas em escala comercial. “Nosso objetivo final não é entregar o Polaris, e sim plantas de maior porte”, resumiu.
Com informações de TechCrunch







