Plataforma com “gêmeo digital” reduz análise de experimentos químicos de meses para minutos

Pesquisadores do Lawrence Berkeley National Laboratory (Berkeley Lab), nos Estados Unidos, apresentaram em 18 de fevereiro de 2026 uma plataforma baseada em inteligência artificial capaz de criar réplicas digitais de experimentos químicos e materiais em tempo real. Batizada de Digital Twin for Chemical Science (DTCS), a tecnologia promete encurtar de semanas ou meses para poucos minutos o tempo necessário para interpretar dados complexos de reações químicas.

Quem desenvolveu

O DTCS foi idealizado pela cientista computacional Jin Qian, da Divisão de Ciências Químicas do Berkeley Lab, em colaboração com o pesquisador Ethan Crumlin, do Advanced Light Source (ALS). Ambos assinam o estudo publicado na revista Nature Computational Science.

Como funciona

A plataforma opera em dois ciclos conectados: um “forward loop”, que confronta simulações com medidas experimentais, e um “inverse loop”, que, a partir dos dados coletados, revela os mecanismos químicos subjacentes. Esse processo possibilita ajustar parâmetros do experimento e validar hipóteses durante a própria coleta de dados.

Instrumentação utilizada

Para a prova de conceito, o grupo criou um gêmeo digital de técnicas de espectroscopia de fotoelétrons de raios X em pressão ambiente (APXPS), instaladas no síncrotron ALS. Os cálculos rodaram nos supercomputadores do National Energy Research Scientific Computing Center (NERSC), também localizado no Berkeley Lab.

Resultados obtidos

O DTCS foi testado em um sistema catalítico fundamental: a interface prata/água (Ag(111)). Em minutos, a plataforma previu como, quando e onde espécies contendo oxigênio surgiriam na superfície metálica, com precisão compatível com dados experimentais e modelos teóricos consolidados.

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Imagem: Internet

Aplicações e próximos passos

Segundo os autores, a integração do DTCS a técnicas espectroscópicas pode acelerar pesquisas em baterias, células a combustível e processos de fabricação química. A equipe já trabalha na versão 2.0, treina novos algoritmos com dados adicionais e prepara gêmeos digitais para métodos como espectroscopias Raman e infravermelha. A expectativa é disponibilizar a ferramenta a outros laboratórios e usuários em poucos anos.

Com informações de Nanowerk

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