Washington, 12 de fevereiro de 2026 – A Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) manifestou preocupação diante de denúncias de que a Apple estaria limitando a exibição de material de viés conservador no aplicativo Apple News.
Em carta endereçada ao CEO da Apple, Tim Cook, o presidente da FTC, Andrew Ferguson, citou relatórios do Media Research Center, think tank alinhado à direita, que afirmam que veículos conservadores ficaram de fora das 20 principais matérias recomendadas pelo serviço.
“Abomino e condeno qualquer tentativa de censurar conteúdo por motivos ideológicos”, escreveu Ferguson. Embora reconheça que o órgão não pode obrigar a empresa a adotar posicionamentos políticos na curadoria, ele alertou que divergências entre a prática e os termos de serviço podem configurar violação da Lei da FTC.
Brendan Carr, presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC) e também crítico das gigantes de tecnologia, apoiou a iniciativa. “A Apple não tem o direito de suprimir visões conservadoras em desacordo com a Lei da FTC”, afirmou.
Revisão interna solicitada
Ferguson pediu que a Apple revise integralmente seus termos de serviço, verifique se o conteúdo exibido condiz com as regras internas e, se necessário, adote medidas corretivas “de forma célere”.
A correspondência foi enviada um dia depois de o presidente Donald Trump divulgar, em sua rede Truth Social, o estudo do Media Research Center. Trump, em seu segundo mandato, acusa frequentemente as grandes plataformas de censurar vozes de direita.

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Contexto da relação com a Casa Branca
Nos últimos 12 meses, o relacionamento entre Apple e governo Trump alternou momentos de tensão e aproximação. O presidente criticou a produção de dispositivos na China, mas, após promessa de Tim Cook de investir mais de US$ 600 bilhões nos Estados Unidos em quatro anos, a empresa evitou tarifas sobre smartphones fabricados no exterior.
Investigações sobre censura
No ano passado, a FTC abriu inquérito para colher relatos de usuários que se sentiram silenciados por motivos políticos. À época, Ferguson declarou que plataformas “não devem intimidar quem expressa suas opiniões”.
A Apple foi procurada, mas não respondeu até o fechamento desta edição.
Com informações de TechCrunch







